A dieta do palhaço continua rondando o seu lar…

 In Público em geral

Será que o exemplo deixado pelo filme Super Size Me – A dieta do Palhaço teve pouca interferência na orientação da dieta dos americanos? Pelo visto é o que sugerem as propagandas de televisão daquele país.

Recentemente uma pesquisa avaliou o que aconteceria com uma pessoa que seguisse a “orientação” dos comerciais de televisão, vinculados pelas redes norte – americanas.

Além da ingestão de mais açúcar do que o adequado, os cidadãos do país teriam um consumo reduzido das fibras e dos nutrientes recomendadas para a dieta diária.

A propaganda de televisão chega ao ponto de exaltar ?um item alimentício que oferece o equivalente à quantidade de açúcar suficiente para três dias, em uma única refeição”. Pior é imaginar que isso acontece sem alertas similares aos das propagandas de cigarro ou das de bebidas alcóolicas.

Se os americanos comessem apenas os alimentos anunciados na TV, segundo esse novo estudo, consumiriam 25 vezes mais que a quantidade recomendada de açúcar e 20 vezes mais que a quantidade de gordura necessária. Para agravar a situação, consumiriam menos da metade da quantidade de laticínios, fibras e vegetais que deveriam compor a base da alimentação diária de uma pessoa sadia.

Na próxima edição do ?The Journal of the American Dietetic Association?, os leitores irão notar que os pesquisadores gravaram, durante 28 dias, o horário nobre da televisão, assim como a programação do sábado de manhã – de quatro grandes emissoras de TV para chegar a essas conclusões.

O estudo identificou 800 alimentos promovidos em 3 mil anúncios e usou um programa de computador nutricional para analisar o conteúdo dos itens propagandeados, comparando os valores nutricionais dos alimentos com a pirâmide alimentar recomendada pelo governo.

Ficou evidente que os assíduos consumidores que se influenciam pela TV poderiam atingir uma dieta acima de 2 mil calorias/dia (normalmente exagerada), composta apenas por alimentos ricos em colesterol, gorduras saturadas, sal em demasia e carente da quantidade suficiente de nutrientes bons – como os íons cálcio e as vitaminas A, D e E.

Comentário do blogueiro: O que por anos representou preocupação só para médicos e dentistas, se tornou um enorme problema nutricional e de saúde pública. Ao que parece o público (e principalmente a imprensa) está mais atento a essa questão.

Isso é fundamental para a prevenção dessa ?epidemia da mal nutrição?. Notem que os índices de diabéticos seguem em crescimento naquele país e no mundo e que outros graves problemas de saúde estão associados ao consumo abusivo de conservantes, gorduras e do açucar refinado, nos países desenvolvidos e em desenvolvimento.

Lendo esse artigo me lembrei de um antigo comentário de Aristóteles, que ainda sobrevive: –

– ?Para nos mantermos bem é necessário comer pouco (e com qualidade) e manter-se ocupado?.

Prof. Rodrigo Guerreiro Bueno de Moraes
Cirurgião-Dentista | Mestre em Odontologia pela Universidade Paulista | Membro da Sociedade Brasileira de Periodontia e da American Academy of Periodontology.

Fonte: The New York Times

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