A importância da higiene dos espaços entre os dentes.

 em Interdentais, Profissionais da saúde

A importância da higiene dos espaços entre dentes vai muito além do que as pessoas imaginam. A cultura popular e os erros conceituais de educação em higiene pessoal fazem com que muitos profissionais de saúde e formadores de opinião apresentem a escova comum e a pasta de dentes como as principais ferramentas para a limpeza bucal e entendam que o fio dental (ou outro recurso de higiene dos vãos entre dentes) atuem como complementos da higiene, o que não é verdade.

Em 1980 Bergenholtz & Britton demonstraram que o uso de escova e pasta de dentes não era capaz de eliminar depósitos de bactérias alojados nos vãos dos dentes.

Agravando esse achado, em 1979, Hugoson & Koch demonstraram que a população que investigavam e que, ao longo da vida, entendia que a escova e a pasta eram indispensáveis e os recursos de higiene dos vãos dos dentes meros complementos e, por isso, passíveis de “descontos” frente ao uso frequente, tinha sinais mais claros e localizados da doença periodontal nos espaços entre dentes. Objetivamente, esses pacientes dispunham de mais registros de sangramento das gengivas e de perdas ósseas nos espaços entre dentes quando comparados com as áreas atingidas pela escova comum.

Em 1998, Kinane reiterou esse estudo, acrescentando que o risco de cáries é mais intenso nas fissuras e vãos dentários do que nas superfícies livres e lisas dos dentes. Assim estipulou que a higiene dos vãos dos dentes é tão ou mais fundamental a saúde bucal do que determinava o velho pensamento coletivo.

Sem dúvida o desenho anatômico dos vãos dos dentes, suas variações de tamanho (por vezes em uma mesma arcada) facilitam a retenção e perpetuação de alimentos pegajosos ou de nutrientes que facilitam a sobrevida da placa bacteriana nesses espaços.

Durante a história, os seres humanos sempre lançaram mão da criatividade para remover restos de alimento dos vãos dos dentes. Para tanto, usavam gravetos e uma série de objetos que suprissem essa demanda.

Em 1815, o dentista americano Levy Spear Parmly, fez um fio de seda para a remoção desses depósitos que ficavam entre os dentes. Sentindo o quanto reclamavam e sofriam de problemas os seus pacientes, passou a recomendar que usassem o seu próprio fio dental, feito de seda, que ele mesmo preparava e entregava aos usuários do seu ambiente de trabalho.

A produção em escala industrial só veio em 1888, com a empresa Codman & Shurtlef. Em 1898, a Johnson & Johnson passou a ter a primeira patente. Após a Segunda Guerra Mundial, o uso do fio dental se disseminou pelo mundo. Foi nessa época que Charles C. Bass desenvolveu o fio de nylon, mais resistente e elástico. Hoje, há no mercado uma grande variedade de tipos, marcas e sabores. No Brasil, o consumo de fio dental já passa de um bilhão de metros por ano.

Apesar disso, conforme o relatado anteriormente, os problemas de saúde bucal não deixaram de existir. Tal qual o velho dentista americano, muitos outros estudiosos passaram a investigar novas ferramentas que pudessem cumprir um papel ainda mais eficaz que o do fio dental na remoção dos depósitos e das bactérias que frequentemente se alojam nesses vãos de dentes.

Em 1965 Henning Eklund fundava uma empresa sueca que se habilitava a produzir e comercializar um tipo diferenciado de palito de madeira para a melhor higiene dos vãos dos dentes. Isso ocorreu pois uma série de estudos científicos demonstraram que todos os dentes ( em maior ou menor escala ) apresentam ranhuras ou concavidades nas suas paredes próximas aos dentes vizinhos, que não eram alcançadas pelo fio dental.

Em 1973 a TePe produziu a sua primeira escova de dentes comum e o fio dental. Paralelamente a isso, ao longo da década de 70, Gjermo e Flötra compararam a eficácia de três métodos previstos a higiene dos vãos de dentes e que investigavam na Noruega. Os resultados apontaram para a superioridade de uma haste metálica revestida de cerdas, quando comparada ao palito e ao fio dental, no que diz respeito a eliminação de bactérias, restos alimentares e controle de sinais clássicos das doenças bucais.

Apesar de já existirem registros, foi somente no final dos anos 80 que as escovas interdentais adentraram o grande mercado de consumo. A TePe, como uma das precursoras desse recurso, aguardou os excelentes resultados das repetidas investigações clínicas a que submeteu o seu protótipo de interdentais, para só então comercializá-lo, à partir desta fase.

Rapidamente se tornou líder de mercado no segmento e representa a única marca mundial que dispõe de variedades de calibre capazes de atender a demanda de praticamente todos os pacientes.

Em termos práticos o fio dental segue indicado as situações em que a papila de gengiva preencha totalmente os vãos dos dentes (situação pouco comum em adultos acima de 30 anos).

Sem dúvida a escova interdental cresceu em importância e pode levar a uma situação clínica bem mais virtuosa e compatível com saúde dos dentes, gengivas e o bom hálito. 

Por: Dr. Rodrigo Bueno de Moraes

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