A sua boca é o que você come!

 em Público em geral

A relação entre saúde bucal e alimentação vai além da boca como porta de entrada dos alimentos. Na cavidade bucal refletem-se importantes alterações do organismo, intimamente associadas aos nossos hábitos alimentares, e as condições de saúde bucal fazem toda a diferença à mesa: da mastigação ao metabolismo

Além da consultoria ao blog ADORO SORRIR, tenho profundo orgulho de atuar como consultor, para assuntos jornalísticos, da Associação Brasileira de Odontologia. A Edita Comunicações e a citada entidade – com o apoio da sua equipe de trabalho, elaboraram o texto à seguir, de enorme valia a elucidação de dúvidas sobre o tema. Como parte integrante desse trabalho, gostaria de compartilhar, com os leitores do nosso blog, esse tema que faz uma homenagem ao dia 31 de Março, ou Dia da Saúde e da Nutrição.

A possibilidade de a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibir moderadores de apetite que atuam no sistema nervoso central, usados para tratar a obesidade, chama a atenção da sociedade para a importância de práticas mais saudáveis de controle da alimentação para manutenção da saúde. Com a proximidade do Dia da Nutrição, a Associação Brasileira de Odontologia (ABO) alerta para a relação que os alimentos ingeridos têm com a saúde bucal ? afinal, é pela boca que começa a alimentação, e, através do acompanhamento profissional do cirurgião-dentista, ela também pode nos dizer muito sobre como anda a saúde sistêmica de nosso organismo.

Alimentos bons de boca ? Uma boa alimentação dá aos tecidos da gengiva e aos dentes os nutrientes e minerais de que necessitam para permanecerem fortes e resistirem às infecções que podem levar à gengivite, entre uma série de outros benefícios.

Cada alimento contribui para a saúde bucal: os fibrosos (como as verduras e frutas) ajudam a limpar os dentes e os tecidos gengivais; o leite e o queijo elevam o pH na boca, reduzindo a exposição dos dentes ao ácido, e, como são ricos também em cálcio e fosfato, ajudam na remineralização; o arroz e o feijão, após o cozimento, retêm uma boa quantidade de flúor na saliva, protegendo os dentes contra cárie; e os alimentos mais duros, como maçã e cenoura, promovem a limpeza dos dentes durante a mastigação. Vitaminas, sais minerais, cálcio, fósforo e níveis adequados de flúor também são importantes aliados para uma boca saudável.

Com açúcar, com (mais) afeto ? Mas há também alimentos cuja ingestão indiscriminada pode ser prejudicial para a saúde bucal. A sacarose (açúcar de mesa) está associada ao surgimento da cárie, embora glicose e maltose pareçam ser igualmente nocivas, e merece atenção especial.

Ao consumir alimentos e bebidas que contêm açúcar e amido, as bactérias da placa produzem ácidos que atacam os dentes durante 20 minutos ou mais. O mais aconselhável é consumir alimentos nutritivos como queijo, verduras cruas, iogurte natural e frutas.

Higiene bucal ? Mas como é praticamente impossível viver sem comer açúcar, a escovação é a medida efetiva de remoção da placa bacteriana e a melhor maneira de prevenir problemas odontológicos.
Uma boa alimentação associada à escovação adequada se reflete em uma boca saudável.
O cirurgião-dentista deve sempre ser consultado para indicar a escova e o creme dentais e o fio dental adequados a cada paciente, mas algumas recomendações são gerais: a escova, geralmente, deve ser macia, porque também é necessário escovar as gengivas, e as escovas duras podem machucá-la, desgastar os dentes, provocar sensibilidade, retração gengival, afetando a estética do sorriso e provocando dor, como a sensibilidade de colo (dor no dente perto da gengiva).

O uso do fio dental também é essencial na higiene bucal, pois ele penetra no espaço entre os dentes que a escova não alcança e, em conjunto com a escova, propicia maior poder de remoção da placa bacteriana ? que, quando não retirada, endurece e forma o tártaro, provocando gengivite e inflamação do osso, fazendo até com que o dente fique mole e possa cair espontaneamente.

O fio dental deve ser passado entre todos os dentes e atrás dos últimos, também de uma maneira padronizada, para que nenhum dente seja esquecido. Corte 40 a 50 cm de fio do rolo e enrole nos dedos médios das mãos, deixando a maior parte na mão direita. Deslize o fio entre dois dentes, introduzindo-o suavemente para não machucar a gengiva, faça movimento de vai e vem através do ponto de contato, no sentido da gengiva para o dente. É preciso repetir esse movimento em todos os dentes, inclusive nos do fundo da boca.

A escova interdental é um outro recurso que se tornou, faz algum tempo, mais conhecido e útil para a higiene da boca e na promoção de saúde dos dentes e das gengivas. Sua eficácia é comprovada pela ciência e ela a sua penetração, na sociedade, está crescendo.

A ABO orienta que sejam feitas três escovações ao dia: pela manhã, após o almoço e após o jantar, sendo que a higienização mais importante é aquela realizada antes de dormir.

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