Bochecho – Evoluindo da crença a ciência…

 In Público em geral

Muitas pessoas usam bochechos como parte integrante da sua rotina de higiene bucal. Esses produtos de tipos, composições e marcas variadas, são vendidos num conceito de comercialização aonde seu “gosto ardido ou mentolado” pode efetivamente matar germes e combater a halitose, talvez até mais do que escovação, conforme dão a entender algumas ilustrações de mídia propagandeadas pelos fabricantes.

Isso faz com que o enxaguatório bucal seja comercializado como um produto altamente eficaz para afastar as bactérias nocivas responsáveis pela doença periodontal e cárie, sendo tão ou mais indispensáveis que o fio dental e escovas de qualidade. Mas será que o uso de antisséptico bucal traz um real benefício a higiene bucal e saúde, conforme o anunciado ?

Alguns achados científicos mostram que determinados bochechos, quando usados incorretamente, podem reduzir os benefícios do creme dental como, por exemplo, prejudicar a retenção de flúor sobre os dentes.

No entanto, o principal problema com o produto é que algumas pessoas acham que ele é tão ou mais eficaz que o fio dental e os limpadores linguais, na remoção das sobras de bactérias dos dentes e da língua, após a escovação.

Se você é um pouco confuso sobre o que é placa dentária, ou placa bacteriana, entenda que ela representa um “filme pegajoso de micróbios vivos, também chamado de biofilme”. Essa placa se desenvolve naturalmente nos dentes, podendo crescer ainda mais se bem nutrida por dieta rica em açúcar, por exemplo, e mineralizar progressivamente dando corpo a um tártaro mais amarelo.

Como qualquer biofilme, a placa dentária é formada por bactérias colonizadoras da boca que se juntam na superfície dos dentes e da língua. Uma vez estabelecida, é difícil de remover com bochecho ou algo mais brando, daí a importância das escovas, do fio, e de visitas regulares ao dentista para checar e excluir pontos de tártaro ainda mais retentivos e desafiantes, até mesmo a escova dentária.

Este crescimento desagradável, no revestimento dos dentes e da língua, também é responsável pelo mau odor exalado pela boca. Por isso, dentistas recomendam as pessoas a escova e o fio dental regularmente, pelo menos duas vezes por dia.

Além disso, escovar ou raspar a língua pode melhorar significativamente a saúde bucal, especialmente pelo atrito físico sobre as bactérias, visando sua remoção do local desejado, especialmente língua e dentes.

Assim como outros, um estudo no Journal of Clinical Dentistry mostrou que a lavagem com um antisséptico bucal, duas vezes por dia, reduziu o acúmulo de placa bacteriana e sinais de gengivite ao longo de seis meses.

Portanto, há alguma evidência de que o uso de bochechos tem benefício clínico na redução dos níveis de placa, embora com eficácia inferior ao das escovas e do fio dental. Neste caso, o efeito se dá pela influência química de seus componentes sobre as bactérias da boca.

Um enxaguatório bucal pode melhorar temporariamente a sensação de mau hálito, mas a escovação e uso do fio dental são os métodos mais eficazes de reduzir as bactérias orais, remover fisicamente a placa pegajosa e são bem mais eficazes se comparados a capacidade dos bochechos de “tentar dissolver ou enxaguar” algumas delas.

Como conceito fica o seguinte: colutório não é um substituto para outros métodos de higiene bucal. Embora tenha mostrado algum benefício, os dentistas seguem recomendando aos pacientes para que se orientem sobre sua indicação de uso, especialmente sobre possíveis interações químicas indesejadas entre cremes dentais e enxaguatórios.

Ainda é melhor, com base nas evidências científicas, investir na escovação, uso do fio dental, e considerar o uso de um raspador de língua e/ou escovação da mesma.

Quer saber mais sobre o tema? Acesse: http://migre.me/fivTl

Recent Posts

Leave a Comment