Caso clínico: Dermatite atópica.

 em Profissionais da saúde

Faz alguns meses que nos deparamos com esse quadro em uma paciente. Eu gostaria de dividir a experiência com nossos seguidores. Após avaliações nossas e de colegas da medicina, fechamos o diagnóstico em dermatite atópica e estipulamos a sequência para o tratamento que erradicou o problema e fez a paciente retornar ao aspecto normal.

Ficamos em dúvida se era uma lesão herpética ou uma dermatite. Daí a importância de se recorrer ao melhor diagnóstico diferencial, que se baseou, além dos exames clínicos, nas análises médicas e odontológicas conjuntas. Isso permitiu fechar o diagnóstico e implementar a terapia mais adequada a solução do caso, conforme a descrição à seguir:

Dermatite atópica, também chamada de Eczema endógeno, neurodermite constitucional ou neurodermite disseminada é uma doença atópica, hereditária e não-contagiosa, caracterizada por inflamação crônica da pele.

O site http://biologiaconcursos.blogspot.com estipula que não há um tipo de lesão cutânea que caracterize os eczemas. Além do rubor, os eczemas podem apresentar vesículas, pápulas, pústulas e descamação da pele. O ressecamento da pele é significativo.

As lesões podem encontrar-se em diferentes estágios e com distribuição irregular. Os eczemas podem ser úmidos ou secretantes. As lesões são mais frequentemente encontradas na face ( idem imagem acima), no couro cabeludo, no pescoço, face interna dos cotovelos, atrás dos joelhos e nas nádegas.

Prurido ou coceira, é importante sintoma e ocorre com frequência. Foi ele que motivou a intensificação do quadro apresentado na foto.

A evolução da dermatite atópica, ou eczema endógeno, não é previsível, podendo ser rápida e curta ou crônica, com frequência inconstante de episódios ou recidivas.

A dermatite atópica é um fenômeno auto-imune. Nele, sem causa aparente, o próprio sistema imunológico “ataca” a pele. Dermatite atópica difere de outros tipos de dermatite por não tratar-se de uma alergia, ou seja, não há a necessidade de contato prévio com alguma substância ou material.

Do ponto de vista bioquímico, há dois tipos de dermatite atópica. O primeiro associado à expressão da Imunoglobulina tipo E (IgE) e outro não vinculado à expressão de IgE.Têm prognósticos diferentes no tocante ao desenvolvimento de quadros respiratórios.

Atualmente considera-se o fator genético como preponderante na Dermatite Atópica. Foi demonstrado que um gene, chamado em inglês de “Filaggrin” (Proteína agregadora de filamentos) é grandemente responsável pela dermatite atópica.”Filaggrin” agrega e liga o esqueleto de ceratina da epiderme. Mais da metade das crianças com dermatite atópica de intensidade moderada a grave possuem tal gene.

Alterações da estrutura da pele e a deficência associada de peptídeos antimicrobiais favorece a colonização por bactérias como Staphylococcus aureus e leveduras, como Malassezia sp. A sensibilidade a leveduras é característica marcante dos pacientes portadores de dermatite atópica.

Enterotoxinas produzidas por S. aureus estimulam ativação de células T e macrófagos. As alterações cutâneas da DA são provenientes da expressão de citocinas próinflamatórias e ativação de resposta inflamatória.

Embora a dermatite atópica não seja uma alergia, sua incidência é maior em pessoas alérgicas ou provenientes de famílias com história de febre do feno ou asma.

Provavelmente devido à disfunção do sistema imunológico pré-existente causando um fenômeno de sensibilização cutânea.

Há, também, evidências de que alergias alimentares podem desencadear episódios de dermatite atópica.

Dermatite atópica surge mais comumente na infância e varia de gravidade até a idade adulta, quando costuma apresentar maior estabilidade.

Há indicações de que os estados emocionais alterados, como tristeza, ansiedade ou angústia, pioram a doença. Apesar disso ela pode ocorrer em adultos, como no caso relatado.

Tratamento

O tratamento pode ser através de medicamentos tópicos ou administrados por via oral ou parenteral.

Usa-se o tratamento tópico para criar proteção contra a desidratação da pele. Cremes e pomadas emolientes podem ser usados com frequência, sendo as últimas mais indicadas nos casos mais graves.Além do importante fator hidratante, pode-se aplicar medicamentos por via tópica, o que geralmente se faz nos casos mais leves, principalmente com uso de corticosteróides.

*O uso de sabonetes e detergentes deve ser evitado ao máximo pelo paciente, uma vez que saponáceos, mesmo neutros, removem a camada lipídica da pele,contribuindo para maior desidratação das áreas acometidas pela dermatite.

O controle do prurido se faz com antihistamínicos.

Há algumas poucas evidências de que o controle ambiental possa melhorar o quadro de dermatite atópica. Entre estes, a umidificação do ambiente é o que demonstra ser mais eficaz.

Em casos de intensidade moderada a grave, serão utilizados medicamentos administrados por via oral, notadamente corticosteróides, e mais recentemente, imunomoduladores, como “Tacrolimus” e “Pimecrolimus” têm sido prescritos.

Em casos muito graves, o uso de imunossupressores, como ciclosporina, azatioprina ou metotrexate pode ser exigido.

O seguimento psicoterápico e técnicas auxiliares de controle da ansiedade podem ajudar.

Em caso de suspeita de uma doença auto-imune é interessante procurar um Reumatologista para indicar o melhor tratamento para o problema.  A jovem paciente está sob supervisão de um clínico geral médico, que já cogitou mais essa análise.

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