Como a depressão pode influenciar na saúde da boca?

 In Público em geral

De acordo com o relatório “The Global Crisis of Depression”, a depressão já atinge cerca de 7% da população mundial, o que totaliza 400 milhões de pessoas. Além de todo o sofrimento familiar, os pacientes que sofrem de depressão encaram o preconceito e uma série de tratamentos que podem acarretar em consequências graves para a saúde da boca.

A depressão e a doença periodontal

As doenças periodontais abrangem um grupo de doenças infecciosas, conhecidas principalmente pela gengivite (um estágio inicial de doença gengival) e periodontite (doença gengival avançada com perdas ósseas). Elas são resultado da interação entre os biofilmes supra e subgengival, somada à resposta imunoinflamatória do hospedeiro. Através de estudos microbiológicos e imunológicos, verificou-se associação entre a depressão e as doenças periodontais. Isto se deve, especialmente, aos altos índices de cortisol no fluido gengival do paciente, responsáveis pela imunosupressão (celular e humoral), como veremos adiante.

Danos à saúde bucal causados pelo cortisol

Independente dos hábitos de higiene bucal, o aumento dos níveis de cortisol no organismo dos pacientes com depressão e transtornos de ansiedade resultam em quadros de baixa imunidade, afetando na resposta dada à interação entre os filmes supra e subgengival.

O cortisol é um hormônio produzido pelas glândulas suprarrenais do nosso corpo, e tem o papel de ajudar o organismo na redução de inflamações, regular o sistema imunológico, manter o nível de açúcar no sangue constante, reduzir a pressão arterial e no controle do estresse. Em situações de estresse crônico, o organismo hiperestimula a produção de cortisol. O excesso deste hormônio é responsável pela hipertensão arterial, depressão e em casos extremos, pela Síndrome de Cushing, que pode levar o paciente a uma atrofia muscular.

Uma série de alimentos podem ajudar no controle do cortisol, como os ricos em fenilalanina (frango, ovos, brócolis, arroz integral, etc.). No entanto, antes de tomar qualquer medicamento ou iniciar uma nova dieta, é importante consultar um médico especializado. Recomenda-se que, em casos de suspeita de altos níveis de cortisol, um médico endocrinologista também seja consultado.

Tabagismo e alterações nos hábitos alimentares

Desmotivados e incapacitados por uma série de sintomas, diversos pacientes com quadro de depressão negligenciam bons hábitos alimentares, de higiene e por vezes recorrem ao tabagismo. Estas mudanças podem ser agravantes para as tendências de desenvolvimento das doenças periodontais, pois estudos mostram que a composição microbiana da placa dental não varia entre fumantes e não-fumantes. No entanto, devido ao seu potencial oxirredutor na placa bacteriana, o fumo pode aumentar a proporção de bactérias anaeróbias.

Apesar das deficiências nutricionais não causarem gengivite ou bolsas periodontais por si só, elas produzem alterações na cavidade oral. Também não há consenso que a baixa ingestão de cálcio aumente o risco de doença periodontal, mas sabe-se que a deficiência de vitaminas pode causar alterações ósseas, a formação de bolsas, a reabsorção do cemento e a hiperqueratose do epitélio gengival.

Além do acompanhamento psicológico adequado, de terapias alternativas e do apoio da família e dos amigos, é essencial que um paciente diagnosticado com depressão faça acompanhamento odontológico adequado para manutenção da saúde bucal. Se você conhece alguém que esteja com este quadro clínico, chame a atenção para a importância da higiene bucal, para que doenças subsequentes graves não atrapalhem a recuperação do paciente.

E você, já sabia das inúmeras consequências para a saúde bucal trazidas pela depressão? Já acompanhou algum tratamento interdisciplinar que também tenha contado com o acompanhamento odontológico? Comente aqui e compartilhe!

 

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