Dentistas e Botox: Por que não?

 em Profissionais da saúde

Alguns especialistas norte americanos acreditam que esse procedimento de aplicação de botox poderá ser feito por um cirurgião ? dentista. Você concorda?

Por: Helaine Smith, D.M.D., M.B.A.
Nota do Editor: A coluna da Dra. Helaine Smith, o médico da boca, aparece regularmente no site americano www.DrBicuspid.com e reflete as opiniões dessa consultora.

Fiquei impressionado ao ver que a última edição do Greater New York Dental Meeting teve várias sessões de um dia inteiro dedicadas ao ensino e a incorporação do Botox na prática odontológica. Alguns meses antes, havia feito um curso grande para dominar o uso do botox na odontologia pela American Academy of Cosmetic Dentistry. Naquela ocasião o médico instrutor brincou: “Nós Médicos Dermatologistas reconhecemos que vocês (os que estavam presentes) são cirurgiões – dentistas felizes por não terem adormecido ao volante, não há nada que não seja do domínio da categoria que vocês não possam praticar. Os enchimentos de Botox, nas áreas sob vossa alçada, são exemplos claros disso”.
Eu concordo. Não entendo porque a aplicação de Botox ainda está excluída da nossa área de atuação. Se você utilizar o seu tempo para freqüentar cursos de educação continuada abrangentes, poderá constatar o trabalho extraordinário que os nossos colegas clínicos odontológicos estão fazendo com enxertos ósseos complexos e elevações de seio maxilar, sem falar no uso do plasma rico em plaquetas em conjunto com enxertos ósseo. Sem dúvida, estes procedimentos são mais arriscados do que o Botox. Mesmo assim, por algum motivo, muitas entidades da saúde e líderes de opinião não homologá-los reprovam essa intervenção pelo dentista, perpetuando o conceito de que não somos médicos aptos a esse exercício.

Nos últimos 15 anos, a tecnologia e os avanços da pesquisa em nossa profissão tem sido surpreendentes. Apesar disso ainda existem muitos novos paradigmas na assistência ao paciente que precisam ser vencidos. Não é justo que os pacientes não tenham direito a esses avanços no tratamento estético e funcional da odontologia.

Eu sempre acreditei que a educação é um investimento, não um gasto. Eu tenho investido mais de US $ 100.000 em formação contínua, durante os últimos nove anos. Tem sido extremamente benéfico para a minha prática e para o meu crescimento profissional e desenvolvimento pessoal.

O diploma de graduação em odontologia só nos proporciona as habilidades mínimas para tratar dos nossos pacientes. A educação continuada e a reciclagem profissional exigem mais do que saber manusear um cimento para a colagem de dentes provisórios ou a repetição dos detalhes sobre como fazer um pino para fechar dentes com canais tratados.
Muitos dentistas não sabem o que está acontecendo além dos limites do seu consultório e defendem os seus métodos de praticar a profissão por medo. A odontologia aumentou a sua exigência e a variedade de procedimentos a ela vinculados para um nível extremamente complexo. Durante anos, um consultório dentário poderia flutuar com a maré e fugir dos métodos de não-implementação de práticas mais modernas. A maré mudou tão rapidamente, devido à conjuntura econômica e os avanços da odontologia, que os que seguem nessa luta contra as evoluções estão ficando para trás.

Sem reciclagem profissional os dentistas ? de fato ? nunca chegarão ao status de médicos da boca, aptos ao exercício de atividades antes consideradas inapropriadas ao seu dia a dia clínico. O botox é apenas uma delas.

Comentário do blogueiro:

No Brasil, assim como nos Estados Unidos, o uso do Botox ainda se restringe a área médica. Os profissionais daquele segmento devem ter o conhecimento tanto sobre os princípios biológicos, que regem essa prática, como sobre as técnicas de manuseio desse material. Sua aplicação na reabilitação física e na estética, tanto nas publicações científicas, como nos canais de mídia ? segue em alta.

Para o uso do botox na prática da odontologia se tornar uma realidade é necessário estudarmos muito e conhecermos mais sobre essa questão. É importante avaliarmos os reais benefícios que trarão aos nossos pacientes. Não podemos entrar em um espaço, seguramente manuseado por médicos, se não tivermos a devida qualificação necessária e o amplo julgamento da pertinência sobre os espaços e limites da nossa atuação. Acredito que se todos os tópicos levantados forem avaliados de forma positiva e propositiva, não existirão impedimentos para o cirurgião-dentista agregar essa ferramenta a sua gama de recursos terapêuticos. Bom senso e segurança são as chaves dessa questão!

Prof. Rodrigo Guerreiro Bueno de Moraes
Cirurgião-Dentista | Mestre em Odontologia pela Universidade Paulista | Membro da Sociedade Brasileira de Periodontia e da American Academy of Periodontology

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