Enquete da campanha AMO SER DENTISTA aponta uma tendência do mercado de oral care brasileiro.

 em Público em geral

A última edição do jornal da ABO exaltou uma pesquisa feita pelo blog ADORO SORRIR, aonde o público e os profissionais de saúde, que nos visitam, confirmaram que a palavra do cirurgião-dentista é de fundamental importância para a escolha dos recursos de auto-cuidados com a boca. A mesma pesquisa de opinião mostrou que, assim como a indicação, a qualidade atestada e comprovada pelo uso torna-se o outro fator decisivo para a confirmação dessa tendência.

Atenta a esa questão, a FNL (representante exclusiva da marca de Oral Care TePe, no país), realizou outra enquete, com a participação voluntária de profissionais do nosso segmento, na sua campanha AMO SER DENTISTA.

A única questão proposta permitiu avaliar um pouco mais do assunto e aprofundar o entendimento sobre como o profissional de odontologia está atuando, diante dos questionamentos que recebe dos seus pacientes.

Apesar de algumas legítimas ponderações, sobre esse tipo de indicação, noto que o nosso código de ética profissional não apresenta ressalvas quanto a essa questão. Tomei a liberdade de recorrer aos itens do referido código para mostrar que o assunto sequer é tratado de forma DIRETA em seu amplo texto.

Código de Ética Profissional do Cirurgião ? Dentista (Fonte Site do CFO)

CAPÍTULO I
DISPOSIÇÕES PRELIMINARES

Art. 1º. Código de Ética Odontológica regula os direitos e deveres dos profissionais e das entidades com inscrição nos Conselhos de Odontologia, segundo suas atribuições específicas.

Art. 2º. A Odontologia é uma profissão que se exerce, em benefício da saúde do ser humano e da coletividade, sem discriminação de qualquer forma ou pretexto.

CAPÍTULO II
DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS

Art. 3º. Constituem direitos fundamentais dos profissionais inscritos, segundo suas atribuições específicas:
I – diagnosticar, planejar e executar tratamentos, com liberdade de convicção, nos limites de suas atribuições, observados o estado atual da ciência e sua dignidade profissional;
II – resguardar o segredo profissional;
III – contratar serviços profissionais de acordo com os preceitos deste Código;
IV – recusar-se a exercer a profissão em âmbito público ou privado onde as condições de trabalho não sejam dignas, seguras e salubres.

CAPÍTULO III
DOS DEVERES FUNDAMENTAIS

Art. 4º. Constituem deveres fundamentais dos profissionais inscritos:
I – exercer a profissão mantendo comportamento digno;
II – manter atualizados os conhecimentos profissionais e culturais necessários ao pleno desempenho do exercício profissional;
III – zelar pela saúde e pela dignidade do paciente;
IV – guardar segredo profissional;
V – promover a saúde coletiva no desempenho de suas funções, cargos e cidadania, independentemente de exercer a profissão no setor público ou privado;
VI – elaborar as fichas clínicas dos pacientes, conservando-as em arquivo próprio;
VII – apontar falhas nos regulamentos e nas normas das instituições em que trabalhe, quando as julgar indignas para o exercício da profissão ou prejudiciais ao paciente, devendo dirigir-se, nesses casos, aos órgãos competentes;
VII – apontar falhas nos regulamentos e nas normas das instituições em que trabalhe, quando as julgar indignas para o exercício da profissão ou prejudiciais ao paciente, devendo dirigir-se nesses casos, aos órgãos competentes;
VIII – propugnar pela harmonia na classe;
IX – abster-se da prática de atos que impliquem mercantilização da Odontologia ou sua má conceituação;
X – assumir responsabilidade pelos atos praticados;
XI – resguardar a privacidade do paciente durante todo o atendimento.

Capítulo IV
DO RELACIONAMENTO

Seção I
Com o Paciente

Art. 6º. Constitui infração ética:
I – exagerar em diagnóstico, prognóstico ou terapêutica;
II – deixar de esclarecer adequadamente os propósitos, riscos, custos e alternativas do tratamento;
III – executar ou propor tratamento desnecessário ou para o qual não esteja capacitado;
IV – abandonar paciente, salvo por motivo justificável, circunstância em que serão conciliados os honorários e indicado substituto;
V – deixar de atender paciente que procure cuidados profissionais em caso de urgência, quando não haja outro cirurgião-dentista em condições de fazê-lo;
VI – iniciar tratamento de menores sem autorização de seus responsáveis ou representantes legais, exceto em casos de urgência ou emergência;
VII – desrespeitar ou permitir que seja desrespeitado o paciente;
VIII – adotar novas técnicas ou materiais que não tenham efetiva comprovação científica;
IX – fornecer atestado que não corresponda à veracidade dos fatos codificados (cid) ou dos que não tenha participado.

Do outro lado da balança, sabemos que existem inúmeras marcas e modelos de escovas, cremes dentais, enxaguantes e outros produtos complementares destinados ao uso diário dos nossos pacientes.

De acordo com o relatório da Nielsen ? empresa do ramo de consultoria em mercados globais – o brasileiro está experimentando mais e também mostra uma crescente preocupação com a saúde bucal e com a qualidade do que consome.
Olhando os números do mercado de oral care no Brasil, essa mudança no comportamento do consumidor de produtos para a higiene bucal fica clara. Em 2009, o setor apresentou crescimento nominal na casa dos seis pontos percentuais, segundo levantamento feito pela empresa de consultoria, entre janeiro e outubro do ano passado, comparado ao mesmo período do ano anterior (o de 2008).

Somadas todas as empresas brasileiras do segmento, houve uma movimentação de R$ 2,2 bilhões, faturados com categorias como escovas, cremes, fios e fitas dentais, além dos enxaguantes bucais.

Nesse conflito de interesses, o maior deles deve prevalecer (o da real necessidade de cada um dos nossos pacientes).

Dessa forma parece legítima a prescrição de opções que o dentista considerar, dentro de um quadro em que a necessidade do paciente fique em primeiro lugar, sem outras questões envolvidas.

Pelo que sugeriu o resultado da primeira enquete ? no final das contas – o respaldo técnico e científico, somado a qualidade dos produtos leva a fidelização dos pacientes com determinada marca, de forma natural.

É consenso no meio científico que a nossa atitude profissional deve se basear em evidências científicas. Para atuarmos dentro desse preceito é importante conhecer bem as necessidades dos pacientes e aquilo que as linhas de oral care prometem, versus o que de fato podem oferecer.

Se isso for levado em conta restará ao profissional, de fato, o embasamento para as suas prescrições e, aos usuários, o convívio com produtos de maior qualidade e adequados as suas necessidades.

Pelo que sugerem as pesquisas, os brasileiros deverão regular esse mercado pelo nível do que lhes é oferecido para a preservação da saúde bucal.

Parabéns a organização da campanha, por mais essa iniciativa de utilidade pública.

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