Escova de dente e limpador lingual

 em Público em geral

Não deixe sobre a pia ou esfregue na toalha de rosto após o uso!

Por Rodrigo Guerreiro Bueno de Moraes

Umidade e calor são condições ideais para o crescimento das bactérias. Para a sua escova de dente e limpador de lingua isso pode ser fatal. O ideal é guardar no armário do banheiro ou em um estojo próprio – devidamente limpos após o uso. Apesar disso, a população não cultiva o hábito de higienizar esses recursos com regularidade.

“Se não for feita a higienização correta da escova após o uso, ela se torna propícia à multiplicação das bactérias naturalmente presentes na boca e que, durante a escovação, alojam-se nas cerdas”, explicou o professor Paulo Nelson Filho, da Forp, à Agência USP de Notícias.

As bactérias da boca são capazes de viver até 24 horas entre as cerdas das escovas e nas ranhuras dos limpadores linguais.

Ele explica que, na boca, se encontram cerca de 900 espécies de bactérias, capazes de viver até 24 horas entre as cerdas das escovas dentais. Os micro-organismos se multiplicam e tornam a entrar em contato com a boca na próxima escovação, o que aumenta a probabilidade de recontaminação da boca.

Cabe reiterar que além das bacterias – vírus e fungos habitam a cavidade bucal e participam desse processo de trocas com as escovas e limpadores linguais – aumentando os riscos a saúde.

Para o pesquisador, a higienização da escova dental deve compor a rotina das pessoas. “Assim como ninguém reutiliza fio dental ou veste a mesma roupa por dias seguidos, a desinfecção desses itens é um hábito de higiene pessoal que deve ser adquirido”, completa o especialista.

Apesar de não existirem estudos comparativos entre indivíduos que desinfetam suas escovas e aqueles que as guardam sem qualquer procedimento higiênico, Nelson Filho afirma que já foram detectados casos de pacientes cuja incidência de lesões na mucosa diminuiu depois de adotado o hábito de higienização.

Para a higiene das escovas e de outros recursos de uso prolongado, o professor da FORP recomenda a utilização de agentes antimicrobianos disponíveis no mercado (como enxaguantes bucais), acondicionados pelo próprio paciente em frascos de plástico ou vidro, em forma de spray. O produto deve ser borrifado nas cerdas e na cabeça da escova uma vez ao dia, após a escovação noturna.

O professor complementa, ainda, que o próprio creme dental pode colaborar para a higienização da escova e essa é mais uma importante justificativa para a inclusão desse complemento na higiene bucal.

Além disso, o usuário deve estar atento para a higienização em água corrente e secagem antes da próxima escovação. “Depois do uso, deve-se bater o cabo da escova na pia, para eliminar o excesso de água, mas nunca secá-la em toalha de banho ou rosto”, aponta o estudioso.

Em relação ao armazenamento, o professor aponta que a escova não deve ficar sobre a pia. “O banheiro é o local mais contaminado de uma casa. Temos pesquisas que comprovam a presença de coliformes fecais alojados em escovas, em função das descargas e da proximidade com o vaso sanitário.

Recentemente o mercado brasileiro passou a disponibilizar – especialmente para pessoas hospitalizadas e em condições precárias de saúde – de escovas e recursos descartáveis, e outros passíveis de esterilização – caso dos modelos comercializados pela TePe. Isso pode fazer enorme diferença na vida de pacientes hospitalizados e cooperar com a recuperação dos mesmos.

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*Com informações da Agência USP de Notícias.

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