Escova Interdental ou Fio Dental? Na dúvida fique com os dois…

 In Público em geral

Legendas: ( acima foto das cerdas de uma escova e de um pedaço de fio dental, ambos em microscopia após uso: Fonte Steve G.). A visualização dos detalhes das cerdas arredondadas de uma escova X o pedaço de fio dental sujo de bactérias após o uso é mais uma mostra da qualidade superior que as escovas interdentais acrescentam na limpeza dos espaços entre dentes.

Fio Dental e Escova Interdental, esses dois importantes recursos de higiene são reconhecidos como os mais eficazes, por dentistas e pesquisadores, quando o assunto é a higiene bucal e a prevenção das doenças das gengivas e das cáries. As escovas dentárias tradicionais são as grandes parceiras da dupla, por atingirem as áreas expostas dos dentes.

Inúmeras são as publicações científicas que mostram a superioridade da limpeza dos espaços entre dentes com escovas interdentais (vide link: http://migre.me/8Yt0G), quando comparadas ao fio dental.

A pergunta é, porque as escovas interdentais ainda são menos utilizadas ou indicadas que o fio dental ?

A primeira questão é histórica, Uma vez que o fio dental surgiu primeiro no mercado e rapidamente se popularizou como o recurso número um de higiene dos ?vãos dos dentes?, devido a aparente simplicidade de uso, um custo razoável e a possibilidade de descarte imediato do pedaço utilizado, uma vez que a embalagem contém mais pedaços íntegros daquele produto.

A evolução técnica e a real penetração das escovas interdentais no mercado consumidor é um fato mais recente. Antigamente os fabricantes de interdentais, preocupavam-se em confeccionar escovas mais calibrosas por acreditarem que esse recurso teria chance de ?durar mais? e assim competir com uma embalagem de fio dental, nos casos de pacientes com grandes espaços entre dentes.

Doce ilusão! Essa não era, e não é, a vantagem competitiva desse revolucionário recurso de limpeza interdental.

Outro conceito que ficou, às custas da fase de desenvolvimento da indústria das escovas interdentais, é o de que essa é uma escova para quem tem dentes separados ou espaços grandes entre os dentes, caracterizando um outro erro que merece reparo.

Ainda hoje, ouço colegas e pacientes repetirem, com absoluta convicção, que espaços dentários mais estreitos SÓ podem ser limpos com fio dental e que as escovas interdentais servem, TÃO SOMENTE, para espaços grandes entre dentes.

Desde o lançamento das escovas, no padrão sueco de 0,4 mm de diâmetro e 0,45 mm de diâmetro (as correspondentes às de cabo rosa e laranja dos modelos TePe, vide: http://migre.me/8Ytk6), que se juntaram a um grupo conhecido de escovas interdentais, de padrão gradativamente mais calibroso (variando de 0,5mm até 1.3mm), as chances de uso desse recurso se ampliaram muito.

Atualmente muitos jovens adolescentes, usuários de aparelhos ortodônticos, doentes periodontais (ou das gengivas), acometidos por mal hálito, sensibilidade dentinária, usuários de próteses dentárias, grandes restauros ou implantes, podem se beneficiar da eficiência desse recurso e da sua maior capacidade de higienização, incluindo a possibilidade de aplicação dos cremes dentais nos espaços dos dentes e de lavagem e acondicionamento do recurso após o uso.

As escovas com esse padrão sueco, podem durar, em média, de 5 a 7 dias, conforme sugerem as pesquisas realizadas pelo mundo, (incluindo estudo recente realizado no Brasil e que publicamos pela revista Perionews, em 2010). Sob o ponto de vista da motivação para a higiene bucal, esse é um recurso capaz de transformar um paciente com dificuldades de praticar uma higiene bucal eficaz, em alguém mais feliz e satisfeito com a saúde da sua boca.

Já faz alguns anos que um grupo europeu de pesquisadores entrevistou várias pessoas daquele continente para avaliar a questão. Notaram que a maioria considerou mais fácil manusear as escovas interdentais do que o fio dental.

Esse fato os deixava mais satisfeitos e tranqüilos quanto a saúde da boca, incluindo a opinião dos dentistas que os tratavam. Essa pesquisa foi publicada no Proceedings of the 2nd European Workshop on Periodontology por Niklaus P. Lang e outros, no ano de 1997.

Isso não significa que o fio dental não tenha indicação e que deva ser banido da rotina das pessoas. Crianças, pacientes com dentes muito desalinhados, espaços protéticos muito estreitos, pessoas bem sucedidas na rotina diária de controle das doenças bucais às custas do uso desse recurso, limpeza dos pontos de contato dos dentes, ou mesmo, como complemento da melhor limpeza obtida pelas interdentais, essas parecem as mais modernas formas de prescrição desse nosso velho conhecido.

Na dúvida, fique com os dois e consulte o seu dentista. Ele poderá tirar as dúvidas que procedem para o seu caso.

Texto: Dr. Rodrigo Guerreiro Bueno de Moraes

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