Evidências científicas: Como praticá-las, questioná-las e compreender seus limites.

 em Profissionais da saúde

Além da sugestão pela leitura do livro do Dr. Jerome Groopman, autor de “COMO OS MÉDICOS PENSAM”, convido-os a ler estas entrevistas produzidas pela equipe do brilhante colega e endodontista Dr. Rui Hizatugu, que nos autorizou a publicá-las através do blog ADORO SORRIR:

1.) Algumas pessoas buscam apoio nas pesquisas e nas estatísticas sobre os tratamentos, mas vocês dizem que isso não ajuda. Por quê?

Hartzband – É preciso ter muito cuidado com números. No livro falamos de uma mulher cujo médico disse que, se ela tomasse uma estatina contra colesterol, seu risco de infarto seria reduzido em 30%. Mas, quando ela procurou saber o risco de uma pessoa como ela sofrer um infarto nos dez anos seguintes, sem tomar remédio algum, viu que era de 1%. Então seu risco de 1% poderia ser reduzido em 30%. Quando você ouve que o risco é reduzido em 30%, sua mente o engana. Você pensa que seu risco é de 100%. Os números são difíceis de interpretar.

O risco de um nódulo na tireoide ser câncer é de 16%, segundo estudos. Para o indivíduo, é sim ou não: ele tem ou não tem. Um “maximalista” diria: “Quero remover o nódulo”. Um minimalista, não. O mesmo número tem um impacto diferente dependendo da sua mentalidade.

2.) Se os pacientes têm seus vieses, os médicos também os têm. Um especialista tende a recomendar mais as técnicas que ele mesmo usa. O que o paciente deve fazer?

Groopman – Se um paciente entende por que recebe indicações diferentes e que isso tem base na mentalidade do médico, isso o ajuda a se perguntar: “Qual é a minha mentalidade? Até onde estou disposto a me arriscar?”. Quanto mais os pacientes entendem os riscos e os benefícios de tomar um remédio, maior é a diversidade de escolhas de cada um. Acreditamos em uma medicina baseada em avaliação cuidadosa, não só em evidências. Você olha as evidências e faz sua avaliação com base no paciente e na sua experiência.

PAMELA HARTZBAND

FORMAÇÃO E ATUAÇÃO Médica pela Escola de Medicina de Harvard, onde ministra aulas. Especializou-se em endocrinologia pela Universidade da Califórnia. É autora de estudos sobre o impacto da internet na cultura da atenção à saúde e da aplicação de diretrizes.

JEROME GROOPMAN

FORMAÇÃO E ATUAÇÃO Médico pela Universidade Columbia, em Nova York, especialista em hematologia e oncologia pela Universidade da Califórnia. É professor na Escola de Medicina de Harvard e escreveu “Como os Médicos Pensam” (Ed. Agir, 2008), entre outros livros.

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