Exame da próstata e Doença Periodontal – existe relação?

 em Público em geral

O Dr. Nabil J Bissada e seu grupo de pesquisa publicou um achado que pode incrementar o elo de ligações da doença periodontal com problemas sistêmicos.

Na opinião dos autores, a periodontite pode contribuir para um aumento do nível de PSA em pacientes com nível de prostatite comum, que ocorre provavelmente através da liberação de várias citocinas (substâncias inflamatórias que podem se originar da doença periodontal pré-existente) e que podem interferir nos achados inflamatórios gerais desses pacientes, incluíndo o do PSA.

Para a pesquisa, publicada no Journal of Periodontology, examinaram 35 homens. Todos eles tiveram algum tipo de prostatite (seja a leve ou uma forma mais grave), o que foi confirmado por um exame clínico urológico e retal, também conhecido como “exame de toque”, bem como pelo registro dos níveis altos do antígeno prostático específico (PSA) e por registros de biópsia da próstata. Esses 35 pacientes não haviam recebido atendimento odontológico nos últimos 3 meses, e sua saúde gengival foi analisada e avaliada. Os grupos foram divididos em dois, incluindo aqueles que demonstraram níveis elevados de PSA ou neoplasias e aqueles que demonstraram variações baixas ou inexistentes do PSA.

Os autores perceberam que, em pacientes com prostatite grave e periodontite severa, os níveis de PSA foram significativamente maiores do que aquelas com registros isolados da periodontite ou da prostatite.

Isto é importante porque este é o primeiro do tipo de estudo relacionando essas duas formas de reações inflamatórias,a inflamação da próstata e a doença periodontal.

Convencionou-se dizer que o PSA é um registro muito específico para a próstata, sem nenhuma ligação com outras situações, como a doença periodontal. Essa crença originou-se do fato do PSA ser produzido e liberado pelas células epiteliais dos ácinos da glândula da próstata, em si.

Considerando que o PSA é processado, formado, e excretado na corrente sangüínea, como outros marcadores inflamatórios, os autores postularam que muito do que seria um indicador ou um marcador de inflamação, específica da próstata, poderia sofrer influência de outros registros inflamatórios, como os derivados da doença periodontal.

O que é surpreendente é que, quando dividiram os pacientes em grupos (A) de leve a sem registro de periodontite e (B) com evolução moderada a grave, descobriram que os níveis de PSA na corrente sanguínea dos pacientes com mais de periodontite foram maiores do que os próximos ou sem registros para essa doença periodontal.

Com base nessa observação, concluiram que o PSA não é apenas um marcador de triagem para a inflamação da próstata, mas provavelmente atua como um marcador inflamatório para outros registros, tais como os de elevação sorológica das citocinas inflamatórias e da proteína C-reativa, que são bons marcadores inflamatórios para a presença de inflamação sistêmica no corpo.

Mais estudos são necessários para mensurar relação de causa e efeito entre a pré – existência de doença periodontal e o risco de prostatites. A questão é: qual deles vem primeiro: inflamação da boca ou a inflamação da próstata? Outro estudo, já em curso, pretende dar respostas mais concretas sobre a ligação entre a inflamação da próstata e as inflamações da periodontia. Se esses pacientes com prostatite crônica e periodontite crônica são tratados para periodontite crônica, isso teria um impacto sobre a redução do nível de PSA e dos sinais e sintomas da prostatite?

Em breve, cenas dos próximos capítulos…

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