Existe risco de infecção pelo HIV através da boca?

 In Público em geral

O post sobre o risco de transmissão da cárie pelo beijo despertou muitos questionamentos de vários seguidores do ADORO SORRIR. Dentre as perguntas mais repetidas, ganhou destaque a relacionada com as chances de contágio e transmissāo bucal do vírus da Aids. A resposta é positiva, embora as possibilidades de contágio sejam menores do que em outras formas de relação. Informações oficiais e a base científica atestam o seguinte:

– Beijo na boca pode transmitir o vírus?
A epidemia de AIDS já tem mais de duas décadas e as formas de transmissão do vírus são bem conhecidas. Não há nenhuma comprovação de transmissão do HIV pelo beijo. Mesmo um beijo na boca, prolongado e “profundo”. É verdade que o vírus pode ser encontrado na saliva, mas isto não é tão comum, mesmo em pacientes com HIV/AIDS, afetados pela doença periodontal. Além disso, a saliva é capaz de “reduzir” a infectividade do vírus HIV.

Existe um único trabalho que aventou essa hipótese de transmissão do vírus. Foi descrito nos Estados Unidos em 1998, onde a parceira de um homem infectado pelo HIV se contaminou sem que a forma de transmissão tenha ficado clara. O casal tinha relações vaginais com o uso de preservativos, não praticavam sexo anal, haviam praticado sexo oral numa única vez e tinham relações sempre após a escovação dos dentes. Ambos tinham sangramento causado por gengivites, dentes sem boas condições e a mulher também tinha periodontite. Existe a possibilidade da transmissão do vírus ter se dado pelo contato com a mucosa da boca e pela presença de lesão nas gengivas e sangramentos.

– Sexo oral oferece chances de contaminação pelo HIV?
A transmissão pode ocorrer. Há risco de infecção pelo HIV em toda forma de relação sexual em que haja troca de fluidos corporais. Entretanto, é difícil saber a determinação exata deste risco e estudar esta forma de transmissão isoladamente. O risco é maior quando existem feridas ou processo inflamatório na boca que facilitem a contaminação (gengivites, estomatites ? aftas); há sangue misturado às secreções genitais como na menstruação, por exemplo; ocorre ejaculação na boca (o líquido pré-seminal, embora em menor quantidade, também contém o vírus) e quando existem úlceras (feridas) na região genital causadas por doenças sexualmente transmissíveis.

Existem casos de transmissão do HIV pela prática de sexo oral em homens infectados pelo HIV (boca/pênis). O risco é maior quando há ejaculação dentro da boca. Apesar de ser muito inferior em relação a situações de transmissão por relações anais e vaginais, o risco de transmissão do HIV no sexo oral existe.

O risco de sexo oral com mulheres infectadas pelo HIV (boca-vagina) e o risco de sexo oral boca/ânus são teóricos. O risco de transmissão em homens e mulheres que tem os genitais estimulados pela boca de outra pessoa infectada pelo HIV, também é teórico. Risco teórico significa que não existem casos que comprovadamente tenham sido causados por esta forma de transmissão, entretanto, há possibilidade de que a transmissão possa ocorrer.

Através do sexo oral, também existe a possibilidade de transmissão de outras doenças sexualmente transmissíveis, como faringite (infecções na garganta) por gonococo ou clamídia, herpes vírus, HPV, úlceras (feridas) na boca por sífilis ou estomatite por Candida.

Prof. Rodrigo Guerreiro Bueno de Moraes
Cirurgião-Dentista | Mestre em Odontologia pela Universidade Paulista | Membro da Sociedade Brasileira de Periodontia e da American Academy of Periodontology

Fonte: adaptado de www.hiv.com.br

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