Halitose em pacientes internados em UTI´s.

 In Para Dentistas, Profissionais da saúde

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Uma das preocupações que geram mal estar, tanto para os familiares, como para os  cuidadores dos pacientes em Unidade de Terapia Intensiva é a questão do sintoma de mau hálito a que se submetem esses pacientes.

Doenças pré-existentes, medicações que favorecem a secura bucal e uma vasta lista de outras combinações foram listadas como capazes de justificar essa ocorrência clínica nas inúmeras apostilas educativas dirigidas a cuidadores.

A questão é simples; Apesar das conhecidas justificativas, esse sintoma indesejado ( capaz de sinalizar sobre a existência de problemas bucais mais graves) pode ser uma decorrência do mau cuidado com o estado bucal dos pacientes naquele ambiente hospitalar ?

A odontologia baseada em evidências tem respostas claras para essa questão. O resumo abaixo foi apresentado na sessão de 2010 do International Association for Dental Research , em seu renomado encontro cientifico de pesquisa.

Pelo visto, a somatória da escova apropriada,  com o limpador lingual e a clorexidina faz reviver o famoso lema do trio de Alexandre Dumas – “os três mosqueteiros”:

– ” Um por todos, e todos por um (a saúde melhor) “…

Halitose de Pacientes atendidos em uma Unidade de Terapia Intensiva de Neurocirurgia

Y.-H. CHOU  et al.

Poster apresentado durante a sessão anual do IADR (14-17 julho de 2010)

Objetivos: 

Os compostos voláteis de enxofre correspondem a uma das principais fontes de halitose. O objetivo deste estudo foi o de aferir a relação entre os níveis dos compostos sulfurados voláteis (CSV) e a halitose e avaliar a melhoria de diversos resultados relacionados com esse sintoma indesejado com uma prática mais intensiva de higiene bucal (incluindo a higiene mecânica da língua, dos dentes e o uso de soluções de clorexidina associadas com a prática mecânica de higiene).

Materiais e Métodos:

Trinta e quatro pacientes com tubo orotraqueal em uma unidade de cuidados intensivos de neurocirurgia, acometidos por grandes depósitos com saburra lingual foram avaliados para halitose. A halitose foi avaliada através da medição dos níveis de compostos sulfurados voláteis usando o ChromaTM Oral e o resultado do teste organoléptico.

Vinte e seis participantes foram selecionados aleatoriamente para os experimentos subseqüentes: práticas de higiene oral, consistindo da tríade de procedimentos citados para a higiene bucal.

Resultados: 

Os investigadores notaram correlações significativas entre o resultado do teste organoléptico e a presença de sulfeto de hidrogênio (H2S), da metil mercaptana (CH3SH), o escore de saburra lingual e compostos sulfurados voláteis (CSV).

Os altos registros dos CSV´s também foram significativamente relacionados com os escores altos de saburra lingual.

A introdução da rotina diária de higiene bucal, reduziu (em até três vezes), mais da metade dos registros de halitose inicial.

Conclusões: 

Os compostos voláteis de enxofre, como o H2S e CH3SH são responsáveis consideráveis pelo mal odor bucal nesses pacientes. As práticas de higiene bucal diária,(raspagem mecânica da língua, dos dentes e o apoio da solução química de clorexidina na mesma concentração dirigida ao bochecho), foi eficaz na redução da halitose e dos CSV´s para os pacientes, com tubo orotraqueal, na unidade de cuidados intensivos de neurocirurgia do Kaohsiung Medical University ? Taiwan.

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