Implantes que vem e vão.

 em Profissionais da saúde

A substituição dos dentes, perdidos ou condenados, por implantes tornou-se  uma das opções de rotina para a recuperação da mastigação e da estética do sorriso. Na contramão das evidências científicas, algumas pessoas ainda acreditam que os implantes devidamente cicatrizados (ou osseointegrados), tenham um risco menor do que os dentes para o desenvolvimento de problemas ? caso das inflamações gengivais e das perdas ósseas no seu entorno.

Um importante estudo científico publicado, em 2002, pelo Clinical Oral Implants Research reforça a importância dos cuidados bucais diários e das visitas de rotina ao consultório odontológico, independente do paciente dispor dos dentes e/ou dos implantes dentários.

Diante dessa e de outras evidências, os profissionais de saúde e seus pacientes devem avaliar, com regularidade, se os recursos de higiene bucal que utilizam e indicam são adequados a situação específica de cada caso.

A conclusão é que da mesma forma que os implantes representam uma boa ferramenta para a substituição dos dentes perdidos, poderão desaparecer se mal preservados. O uso de escovas e de técnicas apropriadas é fundamental para a preservação dos implantes e dos dentes.

Resumo:

O objetivo deste estudo foi o de comparar os efeitos e as diferenças clínicas e microbiológicas quando do estabelecimento da GENGIVITE ao redor dos dentes e dos implantes – em uma mesma boca (também chamada de perimplanto mucosite).

Foram incluídos vinte pacientes atendidos por um serviço ambulatorial suíço que dispunham tanto de dentes, como de implantes dentários – em suas respectivas bocas.

Os dentes preservados apresentavam significativos problemas das gengivas e sinais evidentes de perda óssea no seu contorno. O tratamento periodontal proposto incluiu:

– instrução de práticas de higiene bucal

– raspagem dentária

– algumas cirurgias periodontais

As áreas desdentadas posteriores foram reabilitadas com implantes dentários de titânio. Após 3 meses da instalação cirúrgica dos implantes, as estruturas protéticas foram conectadas aos implantes para devolver uma mastigação mais eficaz.

Ao final dos tratamentos os pacientes foram supervisionados por um período de 2, 3 e 6 meses ? para que os pesquisadores pudessem confirmar o padrão de saúde obtido para os dentes e implantes submetidos ao tratamento.

Após a fase de supervisão, os pacientes foram orientados a abster-se das práticas de higiene bucal por 3 semanas – para a avaliação das conseqüências ao redor de todos os dentes e dos implantes do grupo de pacientes do estudo. Ao final dessa fase sem higiene bucal e das avaliações clínicas e microbiológicas, os pacientes foram instruídos a retornar ao cotidiano dos cuidados bucais diários.

Os resultados mostraram que os níveis de inflamação gengival e de acúmulo de bactérias avaliados após a suspensão dos cuidados de rotina, foram igualmente prejudiciais aos dentes e aos implantes.

Os autores concluíram que a ausência da higiene bucal foi igualmente prejudicial aos dentes e aos implantes, sugerindo que os profissionais de saúde e os pacientes devam se preocupar em valorizar os cuidados diários para a preservação da boa mastigação, da estética e da saúde ? independente da presença de dentes ou de implantes.

Referência: Pontoriero,R. et al. Experimentally induced peri-implant mucositis. A clinical study in humans. Clinical Oral Implants Research v. 5 (4), p. 254- 59. (2002)

Prof. Rodrigo Guerreiro Bueno de Moraes

Cirurgião-Dentista | Mestre em Odontologia pela Universidade Paulista | Membro da Sociedade Brasileira de Periodontia e da American Academy of Periodontology

Publicações recentes