Infrações éticas na odontologia.

 In Público em geral

Faz alguns bons anos que, numa tarde de sábado, caminhava pelas ruas da pacata Mogi Mirim – interior de São Paulo, ao lado de meu pai. Naquele instante fomos surpreendidos por um pequeno avião, que sobrevoava as nossas cabeças e jogava papéis sobre o centro da cidade.

Ao verificar o conteúdo desses impressos, uma desagradável surpresa. O anúncio que está ilustrado neste post era o alvo daquele avião. Infração ética? Passível de punição? Motivo de riso ou chacota? Piada de mau gosto? Qual o alcance daquela complexa ação de marketing da velha clínica que já não existe?

Passa o tempo, surge a internet. Seu alcance é bem mais bombástico do que o do pequeno “Teco-Teco” pairando sobre a cidade de Mogi Mirim. Uma mensagem, idéia ou promoção – pode atingir milhões de pessoas em poucos segundos. Surgem os sites de compra coletiva – prometendo descontos e vantagens descomunais sobre tudo e todos. Além dos benefícios inegáveis dessas ferramentas, convido-os a refletir sobre o outro lado dessa moeda…

A última edição do Jornal da APCD (Abril de 2011, ano 46, no. 648) – afirma, em sua matéria na página 12, que as propagandas de tratamentos dentários estéticos, em sites de compra coletiva, faltam com o respeito ao Código de Ética e, devido à desinformação contida no anúncio, podem levar o paciente a uma situação de risco à saúde. Esse risco decorre da má condição de avaliação sobre a conveniência dessas terapias – simplesmente estimulantes ao ímpeto consumidor dos que as visitam.

O texto é abrilhantado pelas considerações dos presidentes do CFO e CFM e ganhou enorme repercussão nos canais de comunicação da odontologia. Estimo que a inclusão desse tipo de serviço, por esses sites de compra coletiva, levará os conselhos das áreas de saúde a uma revisão drástica das suas normas éticas para assegurar a proteção do público consumidor e dos profissionais que praticam a profissão com seriedade.

É a hora de pacientes e profissionais cobrarem esse rápido empenho das autarquias federais, também chamadas de Conselhos de Classe e das entidades de classe que escolheram para representá-los. Alguma entidade de classe já se mobilizou contra esses sites de compra coletiva?

É para isso que recolhemos nossas anuidades, por acreditarmos que o exercício legal da odontologia deve ser fiscalizado e seus serviços prestados de forma segura e viável a pacientes e profissionais que a abraçam.

A falta de uma iniciativa mais dura, especialmente dos conselhos de saúde, contra essa relação pouco ética de alguns odontólogos e outros profissionais de saúde, poderá alçá-los a categoria de “pilotos” daquele pequeno avião mogimiriano…Pensem nisso!

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