Medicina Periodontal como eu entendo…

 em Profissionais da saúde

Desde os primórdios da história da odontologia, os que a ela se dedicam perceberam algum nível de relação desta com outras situações da saúde.

Ao longo do século XX, consolidou-se a percepção clínica e científica de que determinadas complicações da saúde poderiam afetar dentes, periodonto e outros tecidos bucais

Ao final deste período, por iniciativa do pesquisador americano Steven Offenbacher,surgiu a denominação Medicina Periodontal ou Periodontia Médica.

Seu intento era o de ressaltar que, além do potencial agravamento das repercussões periodontais para fumantes, diabéticos e outros menos habilitados sistêmicos, a pré-existência de problemas periodontais poderia incrementar o risco para complicações da saúde, caso das doenças cardiovasculares, do diabetes melito, das doenças respiratórias e do parto prematuro com o surgimento de bebês de baixo peso ao nascer.

As evoluções obtidas a partir dos primeiros relatos epidemiológicos que traçaram o potencial dessa “relação de risco sistêmico”, à partir de problemas periodontais pré-existentes, veio em boa hora e persiste enriquecida pelas novas associações cogitadas e um questionamento mais profundo deste potencial de risco pelo problema periodontal pré-existente.

Apesar de dispormos de evidências que ligam a pré-existência da doença periodontal com aumento no risco de complicações da saúde, não se pode afirmar em 100% uma associação causa, efeito desta para os quadros sistêmicos.

Ao mesmo tempo não se pode descartar esse potencial da doença periodontal para cooperar com o agravamento dos quadros de comprometimento do estado geral e, principalmente, não podemos deixar de observar, como bem disse o grande cardiologista Paul Ridker, na abertura do Congresso Americano de Periodontia de 2009 – Boston, que a pré-existência de sinais inflamatórios intensos e sequelas periodontais pode se relacionar com um perfil fenotípico hiperinflamatório que repercutiria no maior potencial para surgimento e agravamento tanto da doença periodontal, como dos problemas cardiovasculares, partos prematuros, complicações do diabetes e outras doenças degenerativas, listadas ao longo deste texto.

A ciência está apenas dando o pontapé inicial na elucidação do peso da doença periodontal como fator de comprometimento da saúde. Participar e/ou acompanhar essas pesquisas é dever de todo profissional de saúde.

Por: Dr. Rodrigo Guerreiro Bueno de Moraes

Especialista em Periodontia e mestre em odontologia pela Universidade Paulista.

Consultor científico da TePe e do Blog Adoro Sorrir.

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