Mercado de escovas de dentes, uma reflexão…

 em Público em geral

No Brasil e no mundo surgem, diariamente, escovas de perfis variados, que pretendem atingir metas e públicos diversos, seja pelo bolso, por um apelo de marketing ou pelas facilidade prometidas.

Não tenho nada contra nenhuma delas, mas como pesquisador, dentista e paciente; acho relevante lembrar sobre a importância de checar a validação científica que respalda cada modelo proposto, por qualquer marca comercial.

Fico preocupado quanto a algumas amostras apresentadas na mídia, nas redes sociais, internet, por “professores pardais” e por setores do empresariado, que prometem facilitar a vida das pessoas, salvar ecologicamente o planeta ou até mesmo dispensar a hidratação da boca com água por conter o creme dental embutido, antes mesmo de informar as suas qualificações e evidências científicas que respaldam o seu uso seguro na higiene bucal.

Fico preocupado com eventuais exageros que podem ocorrer por trás da informação comercial, contida no rótulo de cada produto de oral care.

No Brasil, o CADE é o braço fiscalizador responsável por aferir se existem exageros e desacordos entre o que é propagandeado e o que é vendido. Caso sinta que existe algo de irregular em qualquer produto de consumo, é a ele que devemos recorrer.

Deixo claro que não existe nenhuma oposição a essa ou aquela marca, apenas relembro aos leitores que duas técnicas de higiene, entre as mais relatadas pela literatura, Bass modificada e Fones, “solicitam” escovas com os seguintes requisitos:

– Cerdas dispostas preferencialmente em plano(s) similar(es);

– Cabeça pequena ou de desenho adequado a higiene das porções mais ao fundo da cavidade bucal;

– Cerdas macias ou extra-macias;

– Um mínimo de três fileiras de cerdas, seguindo o sentido longitudinal da cabeça da escova;

– Cerdas de Nylon, preferencialmente poliéster, ou material similar, superiores ao material plástico dos cabos de algumas escovas de modelo compacto, aonde cerdas e cabos são sintetizados em conjunto.

Qualquer outra variação é valida, desde que não interfira nas questões acima descritas.

Pense nisso ao escolher a sua escova de dentes, ou antes de prescrever ao seu paciente.

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