O Ministério da Saúde adverte. Opa! Mas não explica…

 In Público em geral

Mensagens claras e campanhas de educação em saúde ajudariam as pessoas a entenderem melhor essas advertências governamentais.

Esse post é uma homenagem ao nosso leitor, o economista e membro da bancada do Fim de Expediente – Luiz Gustavo Medina. A sua maneira de ver as coisas é admirável…

Como acompanhante assíduo do futebol aos domingos, não se conforma com as propagandas, durante os jogos, quando são apresentadas medicações e bebidas que levam,ao final, a tradicional advertência governamental do Ministério da Saúde…

Topei o desafio e vou tentar responder os seus questionamentos.

1º. Esse medicamento não deve ser usado em caso de dengue: OK. Então qual poderia ser usado?

É obrigatório que todos os medicamentos, independente do nome em destaque no rótulo, disponham da descrição do seu principio ativo em locais de destaque na embalagem e na bula que o acompanha.

Como a dengue é uma doença relacionada com sintomas de dores generalizadas ? tal qual em um estado gripal ? muitas vezes é confundida com essa outra doença infecciosa e induz o portador ao hábito da auto-medicação, o famoso – ? Toma isso que passa ou alivia?, que apesar de ?aceito como inadequado? – é praxe dos brasileiros e de muitos outros povos.

A dengue ? ao contrário da gripe ? pode conduzir o seu portador a hemorragias corporais. Existe a possibilidade de acentuar esse risco pelo uso de determinados remédios analgésicos que os pacientes normalmente optam nessas circunstâncias.

Dentre os remédios mais contra ? indicados para os portadores de dengue, estão os com Ácido Acetilsalicílico (AAS) ? que é um antitérmico, analgésico, antiinflamatório leve e antiplaquetário.

Ao longo dos anos, esse medicamento perdeu espaço para tratar dor e/ou febre, pois existem outros mais potentes como a dipirona e o paracetamol. Mesmo assim os derivados do AAS ainda são prescritos para os pacientes que, popularmente, ?precisam afinar o sangue?, por riscos cardiovasculares.

Os medicamentos com os princípios ativos do paracetamol ou da dipirona são os mais usados e propagandeados pelas emissoras para surtos de dor e/ou febre. Como quaisquer medicações, essas substâncias de uso frequente na população, também exigem cuidados na sua prescrição.

O paracetamol não é indicado para pessoas com problemas hepáticos (fígado), e a dipirona ? tal qual o AAS – não é indicada em caso de suspeita de dengue. O paracetamol, poderia se tornar um dos medicamentos viáveis para pessoas com suspeita dessa doença ? o que não excluí a necessária avaliação médica preliminar para decidir sobre a sua prescrição ou a adoção de outras terapias mais adequadas para esse problema.

2º. Beba ou aprecie com moderação: O que é beber com moderação?

A questão é beber com moderação com que objetivo? A que estamos nos referindo? Trata-se de uma gestante, de alguém que vai guiar um carro na sequência, ou da prevenção de alguma doença?

Existem estudos científicos por exemplo que sugerem que ?provar uma taça de vinho ou degustar um drinque? em encontros sociais pode não ser mais um risco para gestantes. De acordo com uma pesquisa publicada no Journal of Epidemiology and Community Health, beber até dois copos de bebida alcoólica por semana, durante a gravidez, não representa um risco para a criança. Muito pelo contrário. As crianças nascidas de mães que beberam pouco nos nove meses da gestação são menos suscetíveis a ter problemas comportamentais e tem melhores resultados em testes comportamentais e cognitivos.

Mesmo assim, diante da polêmica que envolve a nova descoberta, os médicos alertam que, na dúvida, o ideal é que a mulher fique longe dos drinques alcoólicos.

E para quem vai guiar um carro após o barzinho? Em tempos da Lei Seca, a qual estabelece o limite de 2 decigramas de álcool no exame de sangue – devemos destacar que mais do que 300ml de cerveja, podem representar o limite estipulado para a preservação do reflexo do motorista ? de acordo com a nova lei que se aplica ao Brasil e a mais 92 nações.

Sob o ponto de vista da prevenção de doenças ? comenta-se que o consumo diário de um cálice de vinho pode cooperar com a prevenção de determinadas doenças ? caso do mal de Alhzeimer e das doenças cardiovasculares. Relatos recentes sugerem que o vinho tinto é uma poderosa arma para aumentar a expectativa de vida, e um novo estudo oferece notícias ainda melhores para os bebedores de vinho. Um copo por dia, seja branco ou tinto, pode reduzir o risco de se desenvolver a doença de fígado mais comum nos Estados Unidos, o fígado gordo não-alcoólico.

Pesquisadores estudaram 7.211 não-bebedores, e 3.598 pessoas que beberam um copo diário de vinho, cerveja ou bebida destilada, testando-os em busca de níveis sanguíneos elevados e alanino aminotransferase, ou ALT, uma taxa que indica os danos no fígado. Eles descobriram níveis acima do normal em 3,2% dos não bebedores, em 3,5% dos bebedores de cerveja e em 2,3% dos bebedores diários de destilados fortes.

Mas entre aqueles que beberam um copo de vinho por dia, a taxa ficou na média de apenas 0,4%. Mesmo depois dos ajustes por outros fatores de risco, a associação entre beber vinho modestamente e os níveis mais baixos de ALT no sangue persistiram.

Os autores, escrevendo na edição de junho da revista científica “Hepatology”, sugerem que os componentes não-alcoólicos do vinho podem ser os responsáveis pela descoberta. É importante reiterar que muitos desses componentes também são vistos no suco de uva e potencialmente trazem o mesmo benefício.

?Enquanto um copo por dia parece ajudar, esses dados não apóiam o uso de maiores quantidades de álcool?, diz Jeffrey B. Schwimmer, professor-associado de gastroenterologia da Universidade da Califórnia em San Diego.

Na dúvida é bom checar com o seu médico a conveniência de consumir álcool e em que quantidades para o seu perfil. Lembre-se que os limites de tolerância ao álcool variam de pessoa a pessoa e que um profissional de saúde que o conheça pode ajudá-lo nessa orientação.

Fontes: G1 e Google acadêmico.

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