Odontologia e fonoaudiologia

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A relação da odontologia com as demais áreas da saúde é tema de destaque nas publicações de todas as disciplinas do segmento. A Fonoaudiologia atua na prevenção, na avaliação, na habilitação e na reabilitação dos distúrbios da comunicação, assim como no aprimoramento da comunicação humana e nas ações preventivas da saúde coletiva, direcionadas à linguagem oral e escrita, audição, fala voz e motricidade oral, apresenta relação interativa com a rotina do segmento odontológico.

Os ortodontistas, reabilitadores bucais, os odontogeriatras, os cirurgiões bucais (buco maxilo faciais) e, mesmo, os clínicos gerais recorrem, cada vez mais, ao apoio desse grupo de profissionais que auxiliam o desenvolvimento e a recuperação dos pacientes que atendemos na  rotina de trabalho.

Para saber mais sobre esse convívio profissional, convidamos a fonoaudióloga Drª Roberta Bueno (CRFa.8629), especialista Voz pelo CEV (Centro de Estudos da Voz  SP), com ampla experiência clínica no atendimento de pacientes encaminhados pelos colegas da odontologia, dentro da sua carreira.

A profissional é radicada na cidade de Mogi Mirim, SP, a poucos minutos de distância de Campinas, SP.

Nesta entrevista ela fala sobre a importância da Fonoaudiologia na reabilitação dos pacientes e no apoio aos dentistas.

ADORO SORRIR: Drª Roberta Bueno, como a Fonoaudiologia pode ajudar o  dentista?

Drª Roberta: De muitas formas. Destaco os casos de deglutição atípica, bruxismo, briquismo, distúrbios da ATM e casos de adaptação a pontes móveis, próteses sobre implantes e dentaduras, para citar algumas das possibilidades em que a nossa intervenção pode fazer diferença a saúde e ao bem estar dos pacientes.

ADORO SORRIR: Quais as solicitações mais frequentes dos dentistas quando encaminham pacientes para o Fonoaudiólogo?

Drª Roberta: Não saberia dizer exatamente qual a maior indicação clínica da fonoaudiologia, determinada pela odontologia. Percebo, na minha experiência, que os ortodontistas estão entre os que mais nos procuram. Eles se preocupam, entre várias questões, com as consequências da deglutição atípica. É uma situação onde ocorre o empurramento da língua sobre as superfícies internas dos dentes, tornando- se um dos fatores que coopera para os problemas com a oclusão dental.

ADORO SORRIR: Na sua opinião, existe algum sintoma ou observação clínica que os dentistas deveriam valorizar mais para o encaminhamento de pacientes ao fonoaudiólogo? Se sim, essa questão melhoraria as chances de prevenção dos distúrbios da fala ou da comunicação e mesmo dos problemas bucais?

Drª Roberta: Destaco a questão da respiração bucal, por alguns aspectos; ela pode interferir no desenho do palato (mais atrésico e profundo), pode prejudicar a oclusão, favorecer o ressecamento da boca, aumentar as chances de surgimento de cáries e inflamações gengivais nesses pacientes.

Observamos que esses pacientes apresentam sinais de enfraquecimento da musculatura do rosto, dificuldades de manter a atenção, desgaste físico mais acentuado e possíveis distúrbios da fala. O fonoaudiólogo pode auxiliar muito a recuperação dessas situações.

Outra situação é a recomendação da atuação conjunta dos médicos, cito o otorrinolaringologista, dentistas e nossa, para a melhor solução desses casos.

Sob o ponto de vista da prevenção, nada supera a visão integrada das áreas de saúde, especialmente para o diagnóstico e o planejamento precoce das soluções.

ADORO SORRIR: Aparelhos dentários para o posicionamento lingual substituem o trabalho da fonoaudiologia ou devem atuar em conjunto com o fonoaudiólogo?

Drª Roberta: Boa pergunta. Apesar da importância desses recursos para “guiarem a postura lingual” ao longo do tratamento de ortodontia, é importante a avaliação e a intervenção do fonoaudiólogo para a melhor reabilitação desses pacientes e para a segurança na longevidade do resultado esperado.É importante dizer que, em geral, tentamos reparar discrepâncias associadas a posturas e tendências que acompanham os pacientes durante um período significativo das suas vidas.

A fonoaudiologia é parceira da medicina e da odontologia no reparo dessas situações.

ADORO SORRIR: A odontologia dispõe de evoluções no arsenal de recursos destinados a higiene dos pacientes. Destacamos o surgimento de uma linha de produtos de higiene bucal, providos de escovas de cerdas ultra macias e de limpadores linguais, todos eles passíveis de acondicionamento e esterilização em autoclave. Qual a sua visão sobre o uso desses recursos entre as ferramentas de reabilitação que os fonoaudiólogos usam nas suas terapias?

Drª Roberta: Sua pergunta me faz pensar nos casos em que lidamos com a propriocepção ( ou auto – percepção) das estruturas bucais e musculares dos nossos pacientes. Já faz alguns anos que uso escovas e limpadores de língua entre os recursos que lanço mão para a reabilitação de pacientes.

Casos de hipotonias linguais e de perdas de sensibilidade, das estruturas faciais e da cavidade bucal, podem ser avaliadas e estimuladas, entre outras coisas, com o apoio de recursos como esse. Para nós, é mais uma alternativa válida.

ADORO SORRIR: Quais as suas considerações finais?

Drª Roberta:Gostaria de agradecer a oportunidade de falar ao público desse blog sobre um tema tão importante, que reúne pacientes, dentistas e fonoaudiólogos. É dessa integração que surgem novas idéias e avaliações sobre a importância do trabalho de cada parte para a obtenção da estética e função desejada, respeitando o conceito fundamental de saúde e da integração daqueles que podem proporcionar esse grande patrimônio, as nossas vidas.

Agradecemos a Drª Roberta Bueno pela sua colaboração e empenho nos temas da Fonoaudologia.

Dúvidas e sugestões podem ser encaminhadas pelo próprio ADORO SORRIR ou pelo e-mail roberta_bueno@uol.com.br.

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