Os protocolos de odontologia hospitalar atendem ao custo – benefício…

 In Para Dentistas, Profissionais da saúde

odontologia hospitalar

É incrível a capacidade de determinados centros de referência médica para a elaboração de questionamentos ou “reflexões críticas” sobre a conveniência na adoção de protocolos para cuidados bucais nas UTI´s.

Desculpe a excessiva exposição da verdade. Mas não há como fugir a constatação que lhes apresento…

Já palestrei e conversei com muitos intensivistas, médicos, enfermeiros e outros responsáveis gerenciais sobre a importância dos achados científicos que apontam para ganhos na qualidade de vida dos pacientes atendidos por protocolos odontológicos, nestas circunstâncias.

A questão, em geral, é abordada de forma pragmática pelos “defensores do caixa dos hospitais”. Ao final de inúmeras apresentações, que já fiz a este público, a pergunta é:

“Qual o custo – benefício dessas operações?”

Não pretendo fazer nenhum juízo de valor, mas questiono se esses mesmos profissionais são tão pragmáticos e críticos quando o assunto é aquisição de materiais que respaldam intensivistas, cardiologistas, obstetras, o cotidiano das enfermarias e outros segmentos da rotina hospitalar ou se, “nessas circunstâncias”, são mais “flexíveis” nas argumentações sobre as preferência das equipes de atendimento,no tocante as condições de trabalho e de base material a esse desempenho.

Com o perdão da palavra, o achado científico é muito sério para ser tratado, tão somente, com a pergunta:

Ok! Entendi que o tema é importante a saúde dos nossos pacientes, mas QUANTO CUSTA ?

Posso garantir que bem menos do que representa o maior tempo de internação, a maior ocorrência de óbitos e outras complicações que fazem crescer o custo com logística e mão de obra especializada para o atendimento das complicações que poderiam melhorar as chances de PREVENÇÃO, se os alertas da odontologia fossem levados à sério a mais tempo…

Para saciar a vontade dos que teimam em achar que a odontologia procura se afirmar, neste segmento, criando uma necessidade à sociedade, segue MAIS UMA evidência para registro e auto-crítica.

É hora de subir o nível dessa discussão, e entender que chegamos a esse ambiente para somar e trabalhar em prol dos pacientes…

Evidência Científica:

  • Proposição: O objetivo deste estudo foi determinar os efeitos de um simples protocolo de cuidados bucais de baixo custo nas taxas de pneumonia associada à ventilação em uma unidade de terapia intensiva cirúrgica.
  • Design do estudo: Estudo observacional de pré e pós intervenções pelo protocolo odontológico.
  • Ambiente: Vinte e quatro leitos de uma unidade de terapia intensiva em um hospital universitário urbano.
  • Pacientes: Todos os pacientes mecanicamente ventilados que foram internados na unidade de terapia intensiva entre 01 junho de 2004 e 31 de maio de 2005.
  • Intervenções Propostas: Um protocolo de cuidados bucais para auxiliar na prevenção do crescimento de bactérias do biofilme bucal ( placa bacteriana), através da limpeza dos dentes dos pacientes com pasta de monofluor fostato de sódio a 0,7% e um pincel e aplicação subsequente de uma solução  de gluconato de clorexidina a 0,12%, duas vezes por dia em 12 horas de intervalo.
  • Resultados Principais: Durante o período anterior à intervenção – de 01 de junho de 2003 a 31 de maio de 2004 – houveram 24 registros de complicações por infecções, em 4606 dias de ventilação mecânica (taxa = 5,2 infecções por 1.000 dias de ventilação mecânica). Após a instituição do protocolo de cuidados bucais, houveram 10 infecções em 4158 dias de ventilação mecânica, resultando em uma  taxa de 2,4 infecções por 1.000 dias de ventilação mecânica.

Esta redução de 46% nas pneumonias associadas à ventilação mecânica ( leia-se entubação) foi estatisticamente significativa (P = .04). O cumprimento pelos funcionários do protocolo de higiene bucal, durante o período de 12 meses também foi monitorado, duas vezes por semana, sendo considerado como corretamente implementado, numa média de 81%, considerando uma “escala de rigor” na implementação do protocolo previsto quando da elaboração do projeto do estudo.

O custo total do protocolo de higiene bucal foi de U$ 2.187,49. Com o decréscimo de 14 casos nos registros de pneumonia associada à ventilação, obteve-se uma diminuição nos custos daquela unidade hospitalar de U$ 560. 000, 00 ( na fase pré protocolo de higiene bucal) para R$ 140 000,00 (após a implementação do protocolo) aos cofres daquele centro médico. Essa variação permitiu individualizar o tamanho do  valor de redução per capita, na infecção associada à pneumonia por ventilação mecânica, que caiu de U$ 40 000 para U$ 10 000.

Conclusões: A implementação de um simples protocolo de cuidados bucais de baixo custo na unidade de terapia intensiva cirúrgica, levou a uma redução significativa do risco de adquirir pneumonia associada à ventilação.

Para obter o texto completo em PDF visite o link: http://migre.me/8VgKd

Fonte: J Intensive Care Med January 2009 vol. 24 no. 1 p.54-62.

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