Pacientes com Dificuldades Motoras e Saúde Bucal

 In Profissionais da saúde

São recursos como esses que melhoram as possibilidades de desempenho dessa importante parcela da população na luta diária contra a placa bacteriana.

O Censo Demográfico Brasileiro de 2000 revela que existem mais de 24 milhões de pessoas portadoras de necessidades especiais – o equivalente a 14,5% da população do País. Uma grande parcela desses brasileiros apresenta distúrbios neuropsicomotores (que atingem as partes neurológica, cognitiva e motora) ou neuromotores (que afetam apenas as partes neurológica e motora). Este segundo distúrbio ganhou projeção nacional com a personagem “Luciana”, interpretada pela atriz Aline Mores na novela “Viver a Vida”, da Rede Globo, que ficou tetraplégica, após sofrer uma lesão na medula. A dificuldade de cuidar da própria higiene faz com que pessoas como a ex-modelo tenham um sério comprometimento da saúde bucal, apresentando principalmente cáries e doenças periodontais.

Na última edição do Congresso Internacional de Odontologia de São Paulo, a Dra. Aida Sabbagh Haddad, doutora em Diagnóstico Bucal pela Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo, ministrou uma palestra sobre “Como cuidar da higiene bucal nos pacientes com comprometimento motor”. Ela apontou as possibilidades técnicas, a importância de se manter uma boa higienização bucal e suas repercussões sistêmicas nos indivíduos com necessidades especiais.

As dificuldades motoras podem decorrer de diversos fatores, como da paralisia cerebral, AVE (Acidente Vascular Encefálico), lesão medular, Alzheimer, de procedência tumoral. Independentemente do fator etiológico, a maioria dessas pessoas pode ter sua higiene bucal comprometida. “Muitos desses pacientes utilizam medicamentos anticonvulsivantes e alguns desses podem influir no tecido gengival, causando a hiperplasia gengival (aumento da gengiva) que pode até recobrir o dente. Entretanto, se a escovação for bem realizada, a pessoa não desenvolve a doença”, explica a professora Aida.

Para se obter um bom desempenho no tratamento, é necessário que não apenas o paciente esteja envolvido, mas também a família e, principalmente, o “cuidador”, seja esse um membro da família ou do grupo de enfermagem. “A higienização é o principal método no cuidado da saúde bucal e, portanto, a alimentação não precisa ser alterada. Qualquer alimento pode ser ingerido desde que os dentes sejam limpos em seguida”, afirma a especialista.

Algumas dicas simples podem facilitar muito a higienização bucal, entre elas a confecção de um abridor de boca com palitos de sorvete envolvidos por uma gaze, utilizados para aqueles pacientes sem controle da abertura bucal.

Este tema ressalta importantes questões que vão desde a carência de profissionais especializados em Odontologia para pacientes com necessidades especiais até a importância das casas de repouso e hospitais terem dentistas aptos a cuidar de seus pacientes. No momento, há um projeto de lei em andamento que obriga a presença desses profissionais nas Unidades de Terapia Intensiva (UTI). “O agravamento de algumas doenças bucais pode levar a vários tipos de infecções e até mesmo a doenças cardiovasculares”, ensina a professora Aída.

Comentário do Blogueiro: Além das adaptações técnicas é importante que os pacientes disponham de recursos que facilitem o manuseio e a melhor prática da higiene, caso dos géis de clorexidina, de flúor, de alguns tipos de bochechos e principalmente de apoios para o cabo das escovas e fios dentais montados. A própria concepção dos cabos das escovas interdentais melhora a vida dessa parcela da população e de seus eventuais responsáveis.

Prof. Rodrigo Guerreiro Bueno de Moraes
Cirurgião-Dentista | Mestre em Odontologia pela Universidade Paulista | Membro da Sociedade Brasileira de Periodontia e da American Academy of Periodontology.

Fonte: Da Boca Pra Dentro/Site UOL

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