Pacientes críticos em UTIs: A Odontologia inserida na rotina da equipe multidisciplinar.

 In Para Dentistas, Profissionais da saúde

Pacientes críticos em UTIs

Professor Doutor do Departamento de Estomatologia da Faculdade de Odontologia de Bauru, Universidade de São Paulo. Mestre e Doutor em Patologia Bucal pela Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo.

Especialista em Odontologia para Pacientes com Necessidades Especiais.

A realidade dos hospitais e das UTI´s do Brasil começa a mudar. Graças à iniciativa de pesquisadores e de profissionais de saúde qualificados, estamos inserindo, de forma gradual, a odontologia na rotina da equipe multidisciplinar que atende aos pacientes críticos dessas unidades médicas de atenção a saúde.

O Professor Doutor Paulo Sérgio da Silva Santos, do Departamento de Estomatologia da Faculdade de Odontologia de Bauru – FOUSP é uma das referências nessa inserção da odontologia no segmento, além de um profissional e pesquisador reconhecido pelo seu empenho nos assuntos da odontologia e da saúde.

Nesta entrevista ao nosso blog  ?ADORO SORRIR? ele aborda sua experiência com a odontologia, comenta sobre suas pesquisas e traça uma perspectiva do que a reunião da odontologia com a rotina hospitalar pode oferecer as próximas gerações.

ADORO SORRIR: Considerando a sua experiência com a odontologia hospitalar, o que acha da movimentação pela inclusão do dentista nessa rotina,especialmente nas UTI´s?

Dr. Paulo: Acho que a odontologia com atuação hospitalar vive um bom momento, pois tanto a classe odontológica quanto a classe médica têm visualizado esta necessidade, além das evidências científicas mostradas por trabalhos publicados em importantes periódicos. A inclusão especificamente em UTI não é a mais adequada para a odontologia, pois a UTI é um dos setores do hospital, portanto, acredito que a inclusão do dentista é geral, no hospital, inclusive na UTI, onde alguns cuidados mais específicos estarão presentes, o que exigirá do profissional da odontologia dedicação para a aprendizagem desta área do hospital. Acredito que devamos sim reforçar o movimento de inclusão do dentista no ambiente hospitalar como um todo.

ADORO SORRIR: Tendo em vista toda a sua experiência científica e da rotina de atendimentos, qual a opinião sobre o uso de recursos de higiene bucal para o controle mecânico do biofilme bucal, passíveis de autoclavagem, como as escovas e os limpadores linguais da TePe para pacientes críticos hospitalizados?

Dr. Paulo: A higiene oral em pacientes críticos hospitalizados tem sido pauta de muitas discussões na literatura e em eventos científicos. Está clara e sólida a condição de que a higiene oral para pacientes sob ventilação mecânica interfere positivamente para a redução das pneumonias associadas à ventilação mecânica. Ainda não existem protocolos bem definidos por pesquisas bem elaboradas quanto a que métodos de higienização utilizar, como dispositivo de higiene, soluções, forma de aplicação. Estudos como este (limpador lingual) precisam ser realizados para que em um futuro próximo possamos estabelecer protocolos para suas utilizações. Indiscutivelmente tenho presenciado em minha experiência clínica que os produtos da TePe (limpador lingual e escovas) têm qualidade superior para utilização diária nos pacientes críticos, sendo um grande diferencial a possibilidade de autoclavagem, que comprovadamente foi eficiente pelo trabalho do grupo do HCFMUSP, principalmente para pacientes em instituições vinculadas ao SUS.

ADORO SORRIR: Em sua opinião, como dentistas e enfermeiros podem atuar de maneira conjunta e complementar na rotina de atendimento das UTI´s e dos grandes centros médicos do país?

Dr. Paulo: A odontologia tem participação mais recente nos hospitais, e, portanto conquistando espaços e parcerias. A parceria mais importante para a atuação de cuidados com a boca é a da equipe de enfermagem, que é quem está mais próximo do paciente. Este relacionamento de parceria vai desde o auxílio no diagnóstico de alterações bucais, identificação de problemas bucais, como na realização de procedimentos para a melhora da condição bucal e geral dos pacientes. É fundamental para esta “nova” parceria estabelecimento de mecanismos de informação e educação continuada para que o resultado final que é o paciente tenha saúde bucal e geral.

ADORO SORRIR: Qual a importância do controle químico do biofilme bucal na complementação da higiene mecânica de pacientes críticos?

Dr. Paulo: É conhecido que a remoção mecânica do biofilme bucal é o principal mecanismo para redução e controle da flora microbiana bucal, principalmente nos pacientes críticos. Mas, existem estudos avaliando soluções e suas respectivas efetividades na ação de controle químico do biofilme bucal. Hoje estas soluções têm sido indicadas precisamente para situações especiais onde o diagnóstico do cirurgião dentista e a indicação sejam adequadas. Por exemplo, a solução de clorexidina pode ser utilizada para redução drástica do biofilme bucal, mas não por períodos prolongados, pois é uma solução agressiva para o meio bucal. Soluções enzimáticas têm sua função de homeostase, mas não são tão efetivas para o controle do biofilme. Para mim fica claro que a decisão de uso de soluções bucais para pacientes críticos dependem de diagnóstico e indicação adequadas, pois não há uma receita única que seja totalmente efetiva em todos os momentos do paciente em terapia intensiva.

ADORO SORRIR: Como andam as investigações que pratica com os produtos da linha TePe e qual a sua impressão sobre a contribuição da marca para a saúde e higiene bucal das pessoas?

Dr. Paulo: Tenho investigado alguns produtos da linha TePe, que são os mais próximos de minha área de atuação, e percebi claramente resultados relevantes:

– Limpador lingual – De fácil utilização tanto pelo paciente quanto por cuidadores, efetivo na remoção do biofilme, com excelente relação custo-benefício principalmente quanto à característica autoclavável do produto.

– Escova Special Care (possui 12000 cerdas) – Muito bem aceita por pacientes com mucosite oral induzida por quimioterapia e radioterapia permitindo a não interrupção da higiene oral nestes pacientes, o que agravaria seu estado geral. Não conheço no mercado atual escova com a maciez e efetividade de remoção de biofilme que tenha a mesma qualidade.

– Escovas interdentais– Devido à maciez e variedade de calibres tenho utilizado para pacientes com doenças estômato-dermatológicas como pênfigo vulgar, penfigóide benigno das mucosas, líquen plano erosivo e doença do enxerto-contra-hospedeiro, com excelentes resultados, pois os pacientes têm conseguido realizar a higiene bucal de forma mais efetiva e sem os efeitos de complicações bucais.

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