Quanto custa um tratamento odontológico ? tema do portal terra

 In Público em geral

Com a devida anuência da Edita Comunicações, responsável pela consultoria Jornalística da ABO, fomos autorizados a reproduzir o conteúdo da resposta de nosso consultor científico ao jornalismo de TERRA. Essas foram as questões previstas por TERRA na matéria que pretende ilustrar a orientação de custos, como um critério de escolha profissional em odontologia.

1- Como o paciente pode saber se o preço de um tratamento odontológico é justo?

Assim como advogados, médicos, psicólogos, fisioterapeutas e outros profissionais liberais, estão inseridos no conceito de livre mercado que nos é imposto pelo modelo econômico em que vivemos, a injusta fama de que dentista é caro, desconsidera o tamanho do empreendedorismo envolvido neste serviço. Esquecemos da alta carga tributária, da variedade de materiais & recursos (nacionais e estrangeiros) que adquirimos, o custo contínuo da formação e da reciclagem profissional, os gastos para a manutenção dos nossos estabelecimentos e a justa remuneração que qualquer profissional deve buscar em sua atividade. A odontologia é vista e propagada, especialmente na mídia, de uma forma muito equivocada, por vezes jocosa. Para o segmento “OU SOMOS CAROS, OU PRESTAMOS CARIDADE”, esquecendo-se que temos demandas de família, responsabilidades, inseguranças a tratar e prevenir, vide o episódio recente de colegas violentamente abordados em seus consultórios por bandidos, além das injustas exposições de associação a dor e sofrimento em época aonde a profissão evoluiu técnica e cientificamente para conter esses desconfortos. Façamos aqui justiça a imagem atual da profissão e ao que realmente nos custa caro.

A odontologia posso assegurar, não mede esforços para fazer o seu melhor, através das opções que oferece a sociedade.

Em minha opinião caro é o desperdício com desvios e falcatruas nas esferas governamentais, caro é investir dinheiro do seu imposto na construção de arenas para clubes de futebol – isentando Federações Esportivas de impostos para onerar ainda mais os “nossos bolsos”. Caro são as compras supérfluas em lojas de altíssimo poder aquisitivo, que não param de crescer nos shoppings e lojas do ramo, muitas vezes por pessoas sem a devida poupança que compatibilize com esses gastos de última necessidade.

Caro é tratar os efeitos colaterais do uso abusivo de fumo e álcool pelas pessoas. Quando aponto sugestões do que considero caro, apenas trago a tona e ao debate valores que deveríamos discutir muito a frente da afirmação sem base de que “DENTISTA É CARO”. Também é caro a cada um de nós um pacote governamental de incentivos ao consumo que isenta o açúcar de impostos – justo esse grande vilão da nossa saúde, ao mesmo tempo em que se esquece de beneficiar/estimular o consumo da escova de dente/fio dental, descartando esses itens de inclusão na cesta básica. Caro nunca é o profissional que promove saúde, mas sim os absurdos que nos rodeiam e que tiram muito de nossos bolsos, mas que não são “vistos como caros”. No livre mercado e na gama de opções e ofertas atuais, o custo ( incluindo o da odontologia) é automaticamente regulado quando alguém, ao tomar ciência através de uma consulta do valor previsto para a sequência dos seus tratamentos, opta por uma segunda opinião, sem esquecer que aquele que lhe apresenta honorários não inventou ou hiper-inflacionou nada, apenas atribuiu valor baseado na sua localização, oferta de serviços e formação técnica/ científica, levando em consideração tabelas de honorários mínimos previstas pelos conselhos e entidades de classe que nos assistem.

Uma pesquisa recente da Revista Seleções – mostra que o dentista é, no mundo todo, um dos profissionais mais confiáveis ao seu público. Isso inclui a apresentação de honorários e das opções de tratamento. Adiar a ida ao dentista, ao acusar o mínimo sintoma, pode encarecer o tratamento pelo crescimento de demanda relativa ao agravamento do quadro não tratado na hora em que surge. Para quem não pretende investir na sua saúde e bem estar, através da boca, mas entende a importância disso existem as opções dos serviços públicos e, aos que optam por um investimento teoricamente menor, a opção dos convênios dentários. É importante que aquele que lança mão dessas opções, compreenda os prós e contras de cada escolha, dentro de seu perfil e necessidades.

2- Investir em consultas periódicas é sinônimo de economia já que previne doenças mais graves que pedem tratamentos mais custosos?

Não tenha dúvidas. Prevenir custa bem menos que tratar. As sessões de retorno periódicas exigem o empenho dos pacientes, baseiam-se na compreensão clara de que isso não é custo, mas um investimento no bem estar.

A outra questão diz respeito ao empenho na prática dos cuidados bucais recomendados pelo dentista e por outros profissionais de saúde. Esse é o segredo do sucesso de qualquer tratamento e da prevenção para futuros problemas. Quem não age ou pensa assim gasta mais e já existe literatura científica comprovando essa afirmação.

3- Preço alto é necessariamente sinônimo de qualidade? É possível encontrar profissionais bons por preços acessíveis?

Preço alto é antes de tudo prova de necessidade maior de tratamento, especialmente de maior complexidade. Isso posto, podemos dizer que, independente do dentista que escolher, seu custo deverá ser legitimado pela qualidade e atribuições do serviço proposto. É compromisso do profissional informar e qualificar as razões de seu honorário através de um plano de tratamento após a consulta inicial.

É por isso que não recomendo que pacientes se contentem com orçamentos sem compromisso ou pelo telefone. Desconfie de quem lhe presta serviço dessa maneira. O barato pode sair caro após a conclusão dos procedimentos.

4- Além do preço, o que deve ser levado em consideração na hora de escolher um profissional ?

As recomendações de pessoas próximas que já foram atendidas, a formação técnica e científica e a interpretação que o paciente consegue fazer daquilo que é proposto no plano de tratamento apresentado, após a sequência da consulta inicial – são bons indicativos para uma definição sobre o dentista que poderá responder pelo tratamento bucal de qualquer pessoa. Se o plano de trabalho proposto pelo dentista for ponderado e encaixar dentro das expectativas do paciente – não há porque não seguir adiante.

Caso contrário procure uma segunda opinião, respeitando o ponto de vista e formação de ambos os escolhidos. Todo profissional portador de um registro junto ao Conselho Federal de Odontologia, que o qualifique ao exercício da odontologia, tem lastro para a sua prática e recomendação ao exercício da profissão. Dependendo do porte da demanda, valeria checar a especialidade do profissional para saber se ele é ainda mais qualificado a prática daquele tratamento específico, o que não excluiu a possibilidade de clínicos gerais em exercerem os tratamentos da boca com absoluta perícia e qualidade.

Quaisquer outras ponderações podem fugir ao previsto nos códigos de conduta e ética que regem o exercício da profissão e confundir mais do que informar a sociedade.

Fonte: Terra
Rodrigo G Bueno de Moraes é cirurgião-dentista, consultor do BLOG ADORO SORRIR e consultor científico da ABO

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