Saúde bucal do idoso, é importante estar atento!

 In Profissionais da saúde, Público em geral

idoso-no-dentista

E o assunto é saúde bucal na terceira idade, acompanhem a entrevista que nosso consultor técnico, Dr. Rodrigo Bueno de Moraes, concedeu à revista da Associação dos Aposentados do Serviço Público Federal

Quais as alterações que ocorrem em virtude do envelhecimento do organismo e que podem afetar a saúde bucal na terceira idade? 

Fundamentalmente isso se torna uma questão relevante aos mais descuidados e com passado de problemas médicos e bucais mais extenso. Independente disso a queda na função neuro psico motora pode complicar o auto cuidado e a prevenção de problemas bucais.

O aumento no uso de remédios afeta as defesas e reduz o fluxo salivar fundamental para o apoio a prevenção das cáries e doenças das gengivas, sem falar na ligação das doenças da boca e do corpo caso do diabete, das doenças respiratórias, renais, cardiovasculares e tantas outras que afetam ou são afetadas por bocas comprometidas pelos maus tratos de uma vida de descuidos.

O especialista precisa conhecer as doenças que afetam o idoso, como Alzheimer, doenças cardíacas, osteoporose, artrite, mal de Parkinson, câncer, doenças cerebrovasculares e dores orofaciais?

Medicamentos utilizados por eles trazem efeitos como aftas e falta de aderência da prótese? Diabetes e uso de anticoagulantes são problemas que afetam a saúde bucal dos idosos, pois dificultam a cicatrização. Como o paciente deve agir. Ele deve esclarecer tudo ao dentista durante a consulta?

Sem dúvida ele deve ser orientado a informar tudo o que sabe de sua saúde, bem como o dentista deverá perguntar e, caso desconfie, solicitar exames médicos e a opinião de um especialista em medicina para o apoio a promoção de saúde, que é fruto dessa atitude associada do paciente e de seus profissionais de saúde em qualquer esfera.

Qual a importância de o dentista conhecer alterações sistêmicas, psicossociais, conhecer as principais alterações bucais, medicamentos que estes pacientes utilizam e saber de suas necessidades e expectativas?

Qualquer profissional de saúde deve entender que sua atitude repercute no todo. Se domina as intervenções do seu segmento, deve responder pelo tratamento e pelas eventuais interações desse com outras questões da saúde geral. Ler e conhecer o máximo possível dos temas de saúde é a base para a atitude mais digna no trato dos pacientes. Em caso de dúvidas a associação do nosso conhecimento com a dos outros campos da saúde é básica a melhor abordagem de tratamento aos pacientes idosos.

De que forma o tratamento odontológico para os idosos difere em relação ao tempo de duração de cada consulta, número de visitas ao consultório, preferências por horários, estresse do paciente, mostrar-se sempre pronto a sanar qualquer dúvida ou receios, entre outros aspectos?

Isso depende da condição do idoso e não de uma regra especial. Idosos em bom estado não requisitam restrições mais impeditivas ao tratamento.

O idoso, com o tempo, pode tornar-se incapaz de realizar sua higiene adequada (por incapacidade física/motora, ou por falta de motivação/orientação). De que forma a precariedade da higiene oral reflete posteriormente pelo aspecto nutricional, estético e psicossocial?

A perda da plenitude mastigatoria pode ser fatal a saúde  e dificultar ou impedir a reabilitação de um idoso. A prevenção disso começa na orientação individual e seleção dos melhores recursos de higiene para essa população conforme a demanda. Assim, usuários de prótese  s ou implantes dispõe de escovas especiais a esse intento. O limpador de língua pode se tornar um valioso aliado na prevenção do mal hálito e dos acúmulos linguais indesejados, a hidratação regular com água é fundamental e a consciência sobre o controle no uso do açúcar e no balanceamento da dieta é o carro-chefe ao sucesso almejado.

Idosos deveriam saber mais de escovas interdentais, geralmente melhores que o próprio fio dental na limpeza dos vãos entre dentes. Como dito antes, entender a situação do idoso é básico na escolha da abordagem desejada ao seu tratamento.

Sempre que for mencionado o tratamento para idosos, o cirurgião-dentista deve estar ciente das várias alterações que ocorrem sistemicamente, repercutindo diretamente ou não na cavidade bucal, sendo necessário um planejamento rigoroso para evitar quaisquer problemas futuros?

Saber da função e limites orgânicos e entender o aspecto psico social do idoso, são as bases mais importantes para o melhor plano de tratamento bucal. Só assim o dentista corre menos riscos no desenho de um plano de tratamento adequado.

Os novos desafios para a área da saúde demandam que o paciente seja visto de uma maneira completa, necessitando maior e especial atenção pelo profissional de odontologia ?

Sem duvida. Ainda mais quando sabemos que nossa população está envelhecendo e vivendo mais. A prevenção dos problemas do idoso vem desde a fase adolescente e adulta e resultam numa situação mais  prazerosa e saudável. Recentemente li um artigo em que os autores  observaram mais riscos de demência senil aos pacientes que perdiam mais dentes ao longo da vida. Como se vê, direta ou indiretamente a dentição é um indicador associado ao envelhecimento são.

Qual a diferença e a importância de uma abordagem global, do bom relacionamento com os demais médicos do paciente e de um tratamento individualizado ao idoso?

Simplesmente a de tratar e promover saúde versus a de minimizar e administrar a doença, prática mais comum naqueles da terceira idade. O plano de tratamento integrado e o respeito aos cuidados bucais orientados são as chaves do sucesso a saúde à partir da boca para idosos.

Por que a redução do fluxo salivar é um dos principais problemas que afeta o idoso, como efeito colateral do consumo contínuo de remédios receitados pelos demais médicos?. Quais as consequências dessa redução?

Porque a saliva e elemento protetor dos tecidos moles da boca, é o melhor e mais requisitado lubrificante corporal, serve de apoio digestivo, de apoio a devolução de minerais dentários e de apoio a fala e dicção.

Além da importância fisiológica, de que outros modos a dentição afeta a saúde da pessoa mais velha?

Ter dentes originais e/ou devidamente repostos permite a preservação da integridade muscular e esquelética da boca, do aspecto estético e de auto estima e da capacidade de relações com a vida. A boca é a maior porta de entrada de problemas aos idosos e por vezes pode ser o aviso de que algo não vai bem, caso do diabetes, muitas vezes percebido antes pelo dentista quando procurado para resolver assunto de sua alçada. Entender isso é base a qualidade de vida e ao entendimento do papel do dentista como profissional de saúde.

Recent Posts