Você conhece as bactérias anaeróbicas, vilãs na boca?

 Em Profissionais da saúde, Público em geral

O mau hálito, também conhecido como halitose, é um problema bem desagradável, pelo qual ninguém quer passar, mas que todo mundo já teve ou continua a ter.

Em boa parte dos casos a halitose é momentânea, como ao acordar ou ingerir alimentos de odor forte, como alho e cebola.

É importante dizer que, o mau hálito matinal, ainda que seja maior em algumas pessoas que em outras, é normal e se deve à inatividade da boca e à falta de produção de saliva durante o sono.

Há casos em que o mau cheiro dura muito tempo e acompanha a pessoa por dias, meses ou mesmo anos.

Nesse último caso, as vilãs podem ser as bactérias anaeróbicas, principais responsáveis pela halitose. A ação desses organismos, que vivem com pouco ou nenhum oxigênio, é determinante para deixar na boca aquele cheiro de enxofre, parecido com ovo podre, que ninguém quer ter.

Embora cresçam naturalmente na cavidade oral, as bactérias anaeróbicas podem se tornar um problema, quando não há uma higienização adequada da boca, podendo, inclusive, comprometer outras partes do corpo.

Neste artigo, vamos falar um pouco mais sobre as bactérias anaeróbicas. Vamos explicar o que são elas, como interferem na saúde bucal, quando podem ser perigosas e as formas de combatê-las e tratá-las.

Boa leitura!

O que são as bactérias anaeróbicas?

A nossa boca está repleta de diversos micro-organismos, e entre eles estão as bactérias anaeróbicas. Sua principal característica é poder viver em ambientes sem oxigenação ou que tenham muito pouco oxigênio, o que as tornam bastante resistentes a ambientes hostis.

Muitas delas não sobrevivem na presença de oxigênio, por isso, são mais encontradas em locais onde esse gás é escasso, como em pequenos espaços entre os dentes e no fundo da língua.

Quais são os tipos de bactérias anaeróbicas?

As bactérias anaeróbicas são subdivididas de acordo com sua relação com o oxigênio. Há aquelas que só sobrevivem na ausência total desse gás, existem as que são tolerantes a uma quantidade pequena de oxigenação e tem as facultativas, que podem crescer na presença ou ausência do oxigênio.

Abaixo falamos sobre as 4 espécies de bactérias anaeróbicas presentes no corpo humano, lembrando que elas também podem ser encontradas no ambiente, na água e no solo, por exemplo.

Espécies Actinomyces

São as mais encontradas na cavidade oral e no trato respiratório superior, podendo, ainda, estarem presentes no trato gastrointestinal, mas em baixa concentração.

Menos nocivas, em geral, esse tipo só causa infecções se houver feridas na superfície da boca e mucosas.

Espécies Clostridium

Capazes de se multiplicarem em grande quantidade, essas espécies são as responsáveis por graves infecções, como o tétano, gangrena gasosa e botulismo. No organismo humano, é mais presente nos intestinos.

Espécies Bacteroides

É considerada a mais importante das espécies de bactérias anaeróbicas, sendo muito encontrada nas fezes humanas. Elas estão envolvidas em muitos processos infecciosos e possuem muita resistência a antibióticos, podendo causar casos graves de infecções.

São as mais comuns em bacteremia (intoxicação no sangue) e infecções de tecidos moles — músculos, tecido gorduroso, vasos sanguíneos, vasos linfáticos, aponeuroses, tendões, nervos e tecidos sinoviais, que revestem as articulações.

Espécies Propionibacterium

Resistentes ao oxigênio, essa espécie é mais encontrada na pele, e está ligada aos processos de infecção da acne, podendo também causar bacteremia e endocardite (uma inflamação no tecido do coração).

Essas espécies são, geralmente, consideradas um contaminante e não um organismo patogênico.

Como essas bactérias vivem na boca?

Como as demais bactérias bucais, as bactérias anaeróbicas vivem da digestão de restos de alimentos que ficam presos nos dentes, na língua, gengiva, bochechas e qualquer outro cantinho da boca, preferencialmente de baixa oxigenação.

A ausência ou pouca produção da saliva — um enxaguante natural produzido pelo corpo — é um estímulo para o crescimento dessas bactérias, que agem fermentando esses resíduos alimentares e liberando gases mau cheirosos, causando a halitose.

Quando falamos durante um longo período de tempo ou quando se respira muito pela boca — seja por doenças que impedem o bom funcionamento da respiração pelo nariz ou por ter adquirido esse hábito — menos oxigênio circula na cavidade oral, o que favorece a vida das bactérias anaeróbicas.

Alguns hábitos alimentares também podem favorecer a ação das bactérias anaeróbicas na boca e a ocorrência de mau hálito. Alimentos de forte odor, como alho, cebola e molhos apimentados, podem não só deixar restos na boca, se não houver uma boa escovação, como também manter gases no corpo que, presentes no ar que expelimos, causam mau cheiro.

Cigarro e álcool também colaboram para a halitose, pois, ressecam a boca, reduzindo a produção de saliva e a oxigenação, podendo, ainda, interferir na saúde das gengivas.

Quando as bactérias anaeróbicas da boca são um problema?

Além da halitose — efeito mais relacionado ao acúmulo dessas bactérias na cavidade oral — se houver um ferimento na boca, esses micro-organismos podem conseguir acessar a corrente sanguínea e causar infecções no sangue e em outros órgãos do corpo, como o coração.

Há, ainda, evidências de que as bactérias da boca podem estar relacionadas a uma maior incidência de parto prematuro e nascimento de bebês com baixo peso, em gestantes com gengivite e outras doenças periodontais. Por isso, é importante que mulheres grávidas incluam nos exames regulares o pré-natal odontológico.

Como combater as bactérias anaeróbicas?

A principal forma de combater as bactérias anaeróbicas presentes na boca é mantendo uma boa higiene bucal.

Veja abaixo o que fazer para evitar a proliferação desses micro-organismos e evitar complicações:

  • escove os dentes ao menos três vezes ao dia, com escova macia, para evitar lesões na gengiva;
  • use diariamente o fio dental — é importante para retirar os resíduos entre os dentes e no encontro deles com a gengiva, evitando a gengivite;
  • limpe cuidadosamente a língua, em especial a parte mais ao fundo — essa é uma região propícia para o desenvolvimento das bactérias, pois, tem baixa oxigenação;
  • use um limpador de língua ou a própria escova para higienizar a língua — com regularidade, se diminui a ânsia de vômito causada no começo da escovação;
  • limpe cuidadosamente todas as partes do aparelho ortodôntico — os bráquetes e borrachinhas são locais de grande apreço das bactérias;
  • use escovas interdentais para chegar a lugares mais difíceis, onde o fio dental não é suficiente;
  • use um enxaguante bucal sem álcool, principalmente na última escovação do dia — para usar soluções que podem conter limão, água oxigenada ou bicarbonato, é recomendável procurar a orientação especializada do dentista, que poderá indicar o melhor produto em cada caso;
  • beba muita água, para manter a boca sempre hidratada e para ajudar na produção de saliva;
  • masque chicletes sem açúcar ou coma uma maçã — eles estimulam a salivação, ajudando em uma limpeza de emergência, quando você precisar demorar um pouco mais para escovar os dentes após uma refeição;
  • coma alimentos ricos em fibras — além de serem excelentes para a saúde, eles ajudam na limpeza dos dentes, reforçando o combate às bactérias anaeróbicas;
  • evite o cigarro e o álcool — eles ressecam a mucosa, reduzindo a salivação e a circulação do oxigênio, favorecendo a proliferação das bactérias anaeróbicas, além de causarem doenças gengivais;
  • faça visitas regulares ao dentista, para avaliar as condições da flora bacteriana natural da boca e para verificar sua saúde bucal.

Cuidados especiais com o uso de antibióticos

Atualmente, só é possível comprar um antibiótico com a retenção da receita médica. Essa medida foi tomada devido ao uso indiscriminado desses medicamentos, o que estava gerando um grave problema de saúde: as bactérias estavam se tornando cada vez mais resistentes aos antibióticos normalmente prescritos, causando infecções cada vez mais graves e de difícil tratamento.

É comum que o dentista indique uma dosagem de antibiótico antes de um procedimento cirúrgico, como extração de siso ou colocação de um implante. Essa medida é importante para evitar que as bactérias da boca provoquem uma infecção pós-cirúrgica.

O seu uso deve ser restrito ao necessário para essa profilaxia, assim, se evita que o que era proteção, vire problema. Outra recomendação importante é não prolongar ou usar sem prescrição médica, mesmo que seja para tratar infecções em outras partes do corpo que não a boca.

Agora você já sabe um pouco mais sobre as bactérias anaeróbicas e como prevenir o mau hálito e outros problemas de saúde que elas podem trazer.

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