Você tem medo de tratamentos de saúde?

 In Público em geral

A técnica laboratorial Valéria Ranieri, 49, de São Paulo, desenvolveu o medo de ir ao médico quando ficou grávida. Foto: Carlos Cecconello/ Folhapress

Essa é mais uma contribuição da equipe do ADORO SORRIR para a informação e a prestação de serviço em saúde bucal. Vale checar o conteúdo.

Folha de São Paulo – caderno Saúde
Medo de Médico: Nervosismo, insônia e sensação de paralisia são sintomas da fobia ; fugir do médico leva a diagnósticos tardios
MARIANA VERSOLATO (DE SÃO PAULO)

A paulista Vera Rodrigues-Rath, 56, diz se sentir transtornada quando vai a uma consulta médica. A ansiedade aumenta na noite anterior. Ela tem que tomar remédios para conseguir dormir. Depois, passa por um “suplício inenarrável” na sala de espera. A pensionista, que mora em Donauwörth, na Alemanha, há dez anos, conta que sua pressão caiu em uma das últimas visitas à ginecologista e que chora no dentista. Vera até se recusou a fazer uma cirurgia recomendada pela médica. “Eu disse que assumia qualquer risco, mas não me sujeitava à operação. E não fiz. Sofro, mas me sinto melhor longe dos médicos.”
Esse tipo de fobia não é comum, segundo Mariangela Gentil Savoia, psicóloga do ambulatório de ansiedade do HC de São Paulo. “É normal ficar ansioso ou nervoso, mas não a um ponto que impeça a pessoa de ir ao médico. Aí vira transtorno.” Vera conta que o medo começou quando era criança. Ela já foi submetida a oito cirurgias, a primeira foi para corrigir o lábio leporino.

O professor universitário Anselmo Alencar Colares, 63, também desenvolveu seu medo de médicos cedo. “Meu primo, quando era criança, tomou uma injeção que afetou um nervo. Associei o problema ao médico.” Ele diz que sempre pensa na possibilidade do erro. “A gente tem que se entregar quando está numa emergência, mas dá medo colocar a sua vida nas mãos de outra pessoa, especialmente quando você não sabe se o médico é bem preparado.” A perda do único filho, morto em 2010 aos 13 anos, de leucemia, contribuiu para que o medo relacionado à área de saúde aumentasse.
Segundo Vladimir Bernik, coordenador de psiquiatria do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, um dos motivos que leva alguém a evitar o consultório é o temor de descobrir uma doença grave. É por isso que muitos só procuram um médico quando os sintomas já apareceram. Bernik afirma que a “fuga” do consultório pode levar a diagnósticos tardios, reduzindo as chances de cura.

Já no caso do medo de dentista, o receio está ligado aos procedimentos de antigamente, de acordo com Rodrigo Bueno de Moraes, cirurgião dentista, da Associação Brasileira de Odontologia. Tanto que a odontofobia é mais comum entre os adultos de meia-idade. Hoje há mais recursos para os que chegam tensos ao consultório, como sedação e até cadeiras massageadoras. Alguns profissionais usam musicoterapia, hipnose e analgesia inalatória, com óxido nitroso e oxigênio, para tranquilizar.

A técnica laboratorial Valéria Ranieri, 49, conta que sente medo de dentista desde que se conhece por gente. Como só marcava uma consulta em último caso, teve que arrancar dentes e fazer 16 canais. Quando ficou grávida, desenvolveu o medo de médico. “Era um medo que me congelava. Não ia ao médico nem me cuidava.” Terapia e treinos de relaxamento podem ajudar quem tem a fobia, segundo a psicóloga Mariangela Savoia. “Se for medo da doença, podemos trabalhar estratégias de enfrentamento.” Ironicamente, Valéria conseguiu um emprego num hospital. A coincidência a ajudou a vencer seu medo. “No começo, ficava apavorada, mas foi terapêutico.”

ESPANTA PACIENTE

Algumas especialidades geram mais tensão. O proctologista Gilberto Saute admite que a sua é uma das temidas. “A região anal sempre foi um tabu. As pessoas deixam o problema avançar com medo do exame.” Foi para desmistificar o assunto que lançou o livro “Quem (Não) Tem Medo do Proctologista?”, com informações sobre testes e diagnósticos, para que as pessoas não fujam do consultório.

Para Paulo Rodrigues, urologista do Hospital 9 de Julho, o medo do câncer também provoca esse temor. “Há familiares que me ligam antes da consulta e pedem para eu não usar a palavra câncer com o paciente.”

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