Etiologia e Prevalência das LCNC e HDC: Reeducando o paciente

 Em Para Dentistas

Hoje em dia, é comum encontrar-mos no consultório odontológico pacientes com queixa de sensibilidade e/ou lesões cervicais com perda de tecido. O nome e sobrenome dessas lesões são Lesão Cervical Não Cariosa (LCNC) e Hipersensibilidade Dentinária Cervical (HDC), e o que todos devem saber é que essas lesões possuem íntima relação, pois a HDC é o primeiro sintoma clínico de uma futura LCNC.

No caso de  uma HDC e das  LCNC, uma minuciosa anamnese do paciente com detalhamento da história médica e odontológica, serve de ponto de partida para determinar quais os fatores etiológicos.

Estas duas patologias são resultado de forças de carga excêntrica nos dentes, resultando em estresse para o periodonto e para a região cervical (próximo a gengiva)  do dente, sendo percebidas pela polpa do dente como DOR!

Devemos também lembrar que a associação de fatores é mais importante do que um fator isolado e que o componente tensão ou estresse mecânico está presente na maioria dos casos e os fatores de fricção e biocorrosão podem ser predominantes em alguns grupos de risco.

Estresse/Tensão (Abfração):

  • Endógena: Parafunção/bruxismo/apertamento, Oclusão e Deglutição;
  • Exógena: Mastigação de alimentos duros, hábitos de roer unhas, profissão (instrumentos de sopro), e aparelhos dentários (grampos, aparelhos ortodônticos);

Uma boa higiene oral favorece a saúde e a qualidade de vida dos nossos pacientes.

Fricção (atrito):

  • Exógenos: Higiene Dental (escovacão excessiva, uso de pastas abrasivas, uso de mecanismos clareadores caseiros).

Biocorrosão:

  • Endógenos (ácidos): Bactérias acidogênicas, fluído gengival e suco gástrico;
  • Exógenos (ácidos): Consumo de frutas e/ou bebidas ácidas, Exposição ocupacional a gases industriais ácidos.
  • Proteólises: Cárie, Protease (pepsina e tripsina) e Fluído crevicular;
  • Eletroquímica: Efeito piezoelétrico da dentina;

Biocorrosão:

  • Endógenos (ácidos): Bactérias acidogênicas, fluído gengival e suco gástrico;
  • Exógenos (ácidos): Consumo de frutas e/ou bebidas ácidas, Exposição ocupacional a gases industriais ácidos.
  • Proteólises: Cárie, Protease (pepsina e tripsina) e Fluído crevicular;
  • Eletroquímica: Efeito piezoelétrico da dentina;

A prevalência das LCNC, independentemente da forma ou etiologia, varia de 5 a 85% nas dentições atuais. São mais comumente encontradas em pré-molares e molares e a prevalência e gravidade pode aumentar com a idade.

A prevalência da HDC varia de 2 a 98% em populações específicas e ao contrário das LCNC, ela não pode ser identificada visualmente, portanto a metodologia para sua detecção varia subjetivamente.

Para uma correta análise e diagnóstico, uma minuciosa anamnese e detalhamento da história médica e odontológica servem como ponto de partida para determinar os principais fatores etiológicos. Como a etiologia de ambas é multifatorial, a abordagem clínica do Cirurgião-Dentista também deve ser.  O paciente precisa passar por avaliação clínica, exame periodontal, exame oclusal, radiografias panorâmicas e tomografias e o protocolo de tratamento varia para cada paciente, sendo eles não-restauradores, restauradores, cirúrgicos e mudanças de hábitos danosos.

Então amigo Cirurgião-Dentista, vamos investir em prevenção, informação e reeducação dos pacientes.

Referência Bibliográfica: Livro – Lesões Cervicais não cariosas e Hipersensibilidade Dentinária Cervical – Etiologia, diagnóstico e tratamento. Autores: Paulo Vinícius Soares e John O. Grippo

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Especialista em Prótese Dentária | IPPO Profª Curso de especialização em Prótese Dentária do Instituto IPPO
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